domingo, 30 de outubro de 2011

1419 - Ítaca














ÍTACA

Quando saíres a caminho da ida para Ítaca,
faz votos para que seja longo o caminho,
cheio de aventuras, cheio de conhecimentos.
Os Lestrígones e os Ciclopes,
o zangado Poséidon não temas,
coisas assim no teu caminho não acharás nunca,
se o teu pensamento permanecer elevado, se emoção
requintada o teu espírito e o teu corpo tocar.
Os Lestrígones e os Ciclopes,
o selvagem Poséidon não encontrarás,
se com eles não carregares na tua alma,
se a tua alma não os colocar à tua frente.

Faz votos para que seja longo o caminho.
Para que sejam muitas as manhãs de verão
nas quais com que contentamento, com que alegria
entrarás em portos vistos pela primeira vez;
para que páres em feitorias fenícias,
e para que adquiras as boas compras
coisas de nácar e coral, de âmbar e de ébano,
e essências de prazer de qualquer espécie,
quanto mais abundantes puderes essências de prazer;
para que vás a muitas cidades egípcias,
para que aprendas e aprendas com os letrados.

Deves ter sempre Ítaca na tua mente.
A chegada ali é o teu destino.
mas não apresses em nada a tua viagem.
É melhor durar muitos anos;
e já velho fundeares na ilha,
rico do que ganhaste no caminho,
sem esperares que dê Ítaca riquezas.

Ítaca deu-te a bela viagem.
Sem Ítaca não terias saído do caminho.
Mas já não tem para te dar.

E se um tanto pobre a encontrares, Ítaca não te enganou.
Sábio como te tornaste, com tanta experiência,
já hás-de de compreender o que significam Ítacas.

[1911]

Konstandinos Kavafis: “Os Poemas”
(Relógio d´Água, Lisboa, 2005)

Tradução de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

IV Feiras das Bibliotecas Escolares do Concelho de Setúbal

O dia 25 de Outubro foi bem recheado de reflexões excelentes ! e como diz o João , muito heveria por escrever a propósito deste evento, mas  hoje só queria enviar um agradecimento...Obrigada à Teresa Pombo por ter participado . Obrigada ao João PP por todo o apoio e pela presença atenta...

1418 - Meteorologia



Meteorología

A veces
cuando la vida no anda bien,
el sol de tu sonrisa
desaparece por días enteros
entonces
sucede que se nubla el alma
y a veces hasta llueve.
 
Julio Adriazola Palma
 
(dias de chuva, pois)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

1417 - Sem tempo para nada

Este mês de Outubro tem sido violentíssimo. Não é por causa de mim que o país está em crise. A trabalhar das 8h à 1h da manhã e a ganhar menos... não se queixem!!

Não tenho mesmo tempo para nada... ou melhor, minto! ontem, à hora de almoço em Setúbal, tirei 20 minutos para
subir ao miradouro para me deliciar com as fachadas, as ruas, as formas e lembrar-me de outros tempos e outros passeios.

Da conferência em que participei guardo este poema dito de uma forma sublime pela actriz Cristina Paiva da Associação Andante




Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

IV feira das Bibliotecas Escolares do Concelho de Setúbal

Ontem estive por aqui:

Haverá muito mais para escrever sobre este dia, no entanto e por agora, apetece-me destacar a brilhante intervenção de Cristina Paiva da associação artística Andante sobre as Bibliotecas Escolares e o trabalho de promoção da leitura.

Um poema, bem dito, também é uma "leitura por prazer".

(Pois também há Bibliotecas que não há e deviam haver)

Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A beleza da ilustração

Um destes dias descobri o site da ilustradora Nicole Wong. Ao ver as ilustrações entende-se muito bem que, com bom material, se constroem histórias fabulosas!
Ao ver este tipo de material, acho que falta uma reflexão séria sobre o papel da ilustração na promoção da leitura


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

1416 - Autocomiseração

Não, não me apetece a autocomiseração! o coitadinho dele...

Não me apetece, pronto!
A situação deste país é tão inacreditável que entrar nessa espiral  de passa-culpas; reclamar, espernear, só leva à depressão.

Não dá! é mesmo preciso algo que nos ponha para cima.


Da minha parte redobrei o afinco fazendo aquilo que me dá prazer! tudo o resto tem que ser levado na lógica de não deixes que isso te deite abaixo e te arrumem contigo!

Por agora, gozo cada momento de ar livre, preparo as aulas com afinco, ... Um destes dias, numa visita a uma escola, fiquei maravilhado com um grupo de alunos que aprendia, com a sua professora, a tratar de um aquário e outro que, na biblioteca, se encantava vendo um ovo numa incubadora. O pintaínho vinha ai e já se mexia!

(Se desisti de lutar? não! como podia? pode alguém ser quem não é?
mudei apenas de estratégia e um passo atrás nem sempre é um retrocesso )

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Promoção da leitura

A edição de hoje dos sinais da TSF é um autêntico hino à promoção da leitura.Apetece mesmo ir à livraria mais próxima comprar o(s) livro(s).

Vale a pena ouvi-la em: http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2050422

Boas leituras

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

1413 - A todo o vapor

Embora não pareça, esta semana foi muito intensa e cheíssima de trabalho (nem deu para vir ao blogue).

Felizmente que se vão encontrando momentos de pausa, em lugares aprazíveis, para se almoçar e trabalhar. Parece que se recarregam as baterias mesmo que nos encontremos a rever assuntos e a escrevinhar outros...

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Black bird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
all your life
you were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise,
You were only waiting for this moment to arise,
You were only waiting for this moment to arise

Beatles

sábado, 8 de outubro de 2011

«A Contradição Humana» seleccionado para a lista de honra do IBBY

Post publicado por Carlos Pinheiro em : Linha de Leitura



O álbum infantil A Contradição Humana, de Afonso Cruz (Caminho 2010, foi seleccionado para a lista de honra do IBBY (International Board on Books for Young People).
«A lista de honra do IBBY (International Board on Books for Young People) é uma selecção bienal de livros notáveis para crianças e jovens recentemente publicados. Homenageia escritores, ilustradores e tradutores dos países membros do IBBY, organização internacional presente em setenta países de todos os continentes. Os títulos nomeados são seleccionados pelas secções nacionais. A lista completa é publicada em livro, e sete exposições dos livros circulam simultaneamente por todo o mundo», revelou a Caminho através de um comunicado.
Recorde-se que A Contradição Humana foi já seleccionado para a exposição The White Ravens 2011, recebeu o Prémio Autores SPA/RTP 2011 para Melhor Livro Infantil-Juvenil e está nomeado na categoria Melhor Ilustração para Livro Infantil no 22.º Festival Amadora BD.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

1412- uma excente tarde...

Aqui, e já é a segunda vez em muitos anos que tomo banho na praia em Outubro (a outra foi há exactamente dois anos) e confesso que a água estava boa e transparente













 E aqui (Azeitão) sendo que o(s) gato(s) se estavam também a deliciar com um fim de tarde pachorrento, quentinho e delicioso (eram 4). Que bem que lhes (nos) sabia a preguiça!


1411 - Anedotário político nacional

Num discurso sobre o centésimo primeiro aniversário da implantação da república:

Disse-se qualquer coisa como isto: os portugueses devem ser poupados e fazer uma "austeridade digna"

Mas isto concretamente é o quê?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

1410 - Canção tão simples

Esta é uma das canções de que guardo memória de infância/adolescência. Não deixa de ser curioso de pensar que nessa idade só se quer ouvir música com ritmo, mexida, tal e qual o ritmo que nos movia e, eis que, me apaixonei por esta e nunca me canso de a ouvir.
Tem um não sei quê de trágico, mas também de força que nos enche...

Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel do pensamento à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
Quem poderá proibir estas letras de chuva
Quem poderá prender os dedos farpas

a resposta é sempre só uma. Ninguém! por pior que esteja, a resposta mantém-se: Ninguém.

Já sei porque sempre gostei da música. Ela tem uma força descomunal

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

domingo, 2 de outubro de 2011

1409 - Saudades de Coimbra

Adriano foi o meu fiel companheiro no tempo de Coimbra. Esta foi uma das músicas que mais me acompanhou. Amar serenamente e tanta inquietação. Calma e inquietação. Que futuro escolher? 

Como Hei-de Amar Serenamente


Como hei-de amar serenamente
Com tanto amigo na prisão.
Deixar intacta a minha voz
Para os acidentes da ternura.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.

Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Vendo os amigos desvanecendo
Na fria névoa da manhã.
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?

Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Setas que lançam inesperadas
Para o meu flanco tão mortal.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.


Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Os versos esmagam-se na boca
E fica mais amarga a minha boca.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.

Adriano Correia de Oliveira