quarta-feira, 28 de abril de 2010

O 5 de Outubro e a primeira República



Ainda nem li uma linha, mas como ontem fui assistir ao seu lançamento público no Salão nobre da C.M.L. com a janela aberta para a varanda da proclamação da República, não poderia deixar de recomendar a sua leitura.

Claro que se podem lançar algumas críticas à obra por uma certa falta de dados ou simplificação de factos (os próprios autores não escamoteiam isso)

mas...

O que é isso comparado com a divulgação da História de Portugal com o rigor necessário à população escolar (e não só)?
É fantástica a dedicação e trabalho realizado ao longo de quase duas décadas.

É uma obra essencial nas nossas escolas e em casa

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cartaz para uma feira do livro

Em tempo de feira do livro na minha escola e com a Feira de Lisboa a aproximar-se, partilho o texto da autoria de Mário Quintana:

"Cartaz para uma feira do livro

Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem."

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O miúdo que pregava pregos numa tábua



Lê-se num só folego. Aliás, nem se consegue parar de ler. São 111 páginas de letra grande da mais pura poesia escrita em prosa.
Palavra de honra, há muito tempo que um livro não me encantava tanto. Tenho até dificuldade em começar um novo após a leitura deste poema quase autobiográfico

Aconselho vivamente...

Que melhor forma para se introduzir a leitura deste poema que as palavras do próprio autor ao Expresso?

Belo, belo, belo! quem me dera ter sido eu a escrevê-lo...

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Junto a uma janela quase primaveril, na sua casa de Lisboa, Manuel Alegre falou sobre O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua (Dom Quixote), a sua obra mais recente. «É uma entrevista literária, não política», avisou logo. Mas a dinâmica da conversa, caótica como a memória, haveria de nos levar até ao limiar das Presidenciais.

Em 1996, quando lançou o romance Alma, disse que «há livros que se fazem porque se quer» e «há outros que se escrevem porque não pode deixar de ser». A qual das categorias pertence este livro?
À mesma categoria do Alma, à dos que se escrevem porque não pode deixar de ser. Diria que foi um livro que se impôs. No fundo, é uma arte poética, uma explicação de como se chega à escrita e à poesia, através dos sons, dos episódios vividos, das coisas que nos marcaram.

Auto-consciente, o livro mostra-nos as suas costuras, os seus avanços e recuos, os vários caminhos, as indecisões.
O livro escreve-se para a frente e para trás, aos ziguezagues, porque a memória também funciona assim. A memória é feita de fragmentos. Fragmentos dispersos, que muitas vezes se sobrepõem e que não têm continuidade. Como a vida. Isto é uma coisa que brotou não sei de onde. É um sopro que veio lá de dentro. Ultimamente, aliás, só escrevo assim.

Quais foram os momentos fundadores da sua escrita?
Os sons da infância: sinos que tocam, um violino desafinado, o rumor das oficinas, o canto dos pássaros, as águas que passam. E certos episódios marcantes que se transformaram em metáforas, as minhas metáforas, a que volto muitas vezes. O que este livro foi buscar, o que o condiciona, o que lhe dá coerência, são esses vários sons e ritmos da vida, dirigidos para a escrita, para o poema, para as sílabas contadas pelos dedos.

O jogo literário, porém, não revela tudo. «Estou aqui a esconder-me e a mostrar-me», diz no último parágrafo.
Claro. Há sempre uma transfiguração. E é através desse fingimento, desse processo ficcional, que se consegue ir ao fundo das coisas.

O narrador está sempre a desdobrar-se. Vai sendo sucessivos miúdos, por vezes sobrepostos, em vários tempos e idades.
Nós somos sempre o resultado de muitos desdobramentos. Tenho a sensação de ter muitas vidas na minha vida e acho que isto acontece com toda a gente. Aquele miúdo de dez anos que eu descrevo a olhar-se ao espelho e a imaginar-se com outros dez anos em cima, sou eu, hoje, com setenta e tal. Quer dizer, sou e não sou.

Em sentido inverso: ainda vê o miúdo de dez anos, quando se olha ao espelho?
Sim, vejo. Vejo o miúdo que ainda é miúdo e já não é.

Um miúdo que nunca deixou de procurar o ritmo do mundo, a respiração da terra.
Eu acho que a arte, tanto a literária como a musical, tem tudo a ver com isso. Com a respiração da terra, do nosso corpo, até do cosmos, se quiser. Acho que há um ritmo global que é feito de muitos ritmos.

E cabe ao poeta entrar em sintonia com esses ritmos?
Sim. Se não acertar essa respiração é porque falhou. Falhou a palavra, falhou o verso, falhou o poema, falhou o livro.

Numa obra em fragmentos, como é que se faz para manter a coesão interna?
O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua foi quase todo escrito de um jacto, como já acontecera com o Cão como Nós. Depois, há coisas que corto ou monto, como no cinema. A ordem dos fragmentos não foi necessariamente aquela. Há uma certa montagem.

Um dos momentos mais intensos do livro é a evocação da última visita a Sophia de Mello Breyner Andresen. Muito doente, ela pediu-lhe que dissesse poemas de Camões, repetindo-os consigo «até que, a certa altura, já não dizia as palavras, só a batida das sílabas, (…) só a respiração do poema na sua própria respiração».
Aconteceu exactamente assim. Era poesia em estado puro. Talvez o poema supremo seja isso. Seja essa respiração, já sem palavras.

Noutro texto, Miguel Torga é retratado «a segurar o caderno e a empunhar a caneta até ao fim».
São diferentes. O Torga era um poeta muito mais racionalista. Trabalhava e depurava muito. A escrita, para ele, era uma batalha. O caderno e a caneta, as suas armas.

Acaba por fazer várias aproximações à morte: Sophia, Torga, os seus pais. E conta em detalhe o momento em que também podia ter morrido.
É verdade. Uma pessoa da minha família reparou nisso. Não foi algo que tenha programado, mas também não aconteceu certamente por acaso.

No fragmento em que narra essa crise cardíaca que quase o vitimou, o regresso à vida é simbolizado pela recuperação do «ritmo da terra a tremer».
Esse texto é um exorcismo e uma celebração. É uma celebração da própria sobrevivência.

A mim, parece-me que a principal figura que emerge deste livro é o seu pai. O pai que ensina a não ter medo do mar. O pai que lhe abre os caminhos da vida.
Aí há também um acto de compensação. A minha mãe era uma pessoa com uma grande energia e teve sempre uma presença mais visível, mesmo diante dos meus amigos: o Assis Pacheco, o Herberto Helder, o Zeca Afonso, os que andavam lá por casa. O meu pai tinha uma atitude mais contemplativa, mais distante. Agora, reconheço que algumas das coisas essenciais da minha vida vêm dele.

Considera-se hoje mais parecido com o seu pai do que se considerava há cinquenta ou há trinta anos?
(Pausa longa) Estou mais perto dele. Sinto-me mais perto. E mais parecido, sim. Mais parecido.


Recentemente, voltou ao lugar onde combateu em Nambuangongo (Angola), um episódio que também é evocado no livro. Como foi esse regresso?
Nunca se volta exactamente ao ponto de partida. O quartel estava destruído, já não havia inimigo, restavam ali apenas algumas campas. Mas também havia coisas novas: uma escola, um hospital em construção. Foi uma visita que me despertou emoções muito intensas. E lágrimas, pelos que estavam, pelos que não estavam e até por mim mesmo. Aquilo marcou toda uma geração. Há guerras que não acabam nunca, como disse o René Char. Eu fui ali como que em peregrinação, a tentar o exorcismo. Mas não sei se alguma vez me vou libertar dos momentos em que se tinha medo na picada, medo das minas que estavam à nossa espera para rebentar, a sensação de estar cercado, que invade os nossos sonhos, os nossos pesadelos.

E a imagem terrível da bala que assobia.
Esse foi o primeiro tiro que eu ouvi numa emboscada. E é muito diferente de todos os outros tiros que ouvi ou disparei. Porque é um tiro que se percebia que era de guerra, um tiro que trazia morte. Recordo que quando isso me aconteceu fiquei paralisado no meio da picada e foi um soldado, por acaso africano, que de cima de um Unimog se atirou sobre mim e me salvou. Eu já tinha ouvido muitos tiros. Mas aquele soou de outra maneira. A bala que assobia é a morte propriamente dita. E a memória dessa bala não passa, não passa.

Preferia que o seu nome ficasse inscrito na literatura portuguesa ou na História do país?
Na história da poesia. Independentemente do que vier a acontecer, se daqui a cem ou 50 anos se falar de mim, será por alguns versos que ainda circulem por aí.

Já conseguiu superar a sua dualidade essencial: o Manuel Alegre escritor versus o Manuel Alegre político?
Eu sempre vivi dividido. Essa divisão no fundo é a minha unidade, é o meu todo, porque é fruto das circunstâncias em que nasci. Tenho amigos que fizeram a opção exclusiva da poesia, são uma espécie de monges ou anjos da poesia. Eu não. Eu fui apanhado pela engrenagem da política e sobretudo pela guerra, que mudou completamente a vida da minha geração. E depois, talvez por uma questão de temperamento, nunca fui capaz de viver fechado numa torre de marfim.

Não consegue estar à margem da intervenção pública e cívica.
Isso não. Isso é-me difícil. Preciso um bocado desse incómodo. De me incomodarem e de me incomodar. Mas para mim o essencial sempre foi a poesia. Gostava de intervir, de mudar as coisas, em dois ou três momentos tive a sensação de estar a dar uma volta na História, mas carreira política não a tinha. Nunca quis ser secretário-geral do PS, nem primeiro-ministro. Só depois da candidatura à Presidência da República é que isto se complicou. Complicou-se porque trouxe consigo um processo, uma rede, uma dinâmica não apenas política, mas afectiva, de que é difícil uma pessoa soltar-se. Passei a ter uma responsabilidade cívica muito maior. E aquilo que mais me aflige é o facto desse cargo ser uma função totalmente absorvente. Não sei até que ponto, se vier a ser eleito, terei margem para a escrita.

O Mitterrand, por exemplo, escrevia.
O Mitterrand escrevia e tinha as suas horas para a leitura, para o convívio, para ir às livrarias, para passear nas ruas. Isto sendo um presidente executivo, que governava. E o próprio Mário Soares também lia e escrevia muito.

Ainda assim, a possibilidade de ser eleito assusta-o mais do que o atrai?
Assusta-me um bocado. Quer dizer, preocupa-me. Não me assusta, preocupa-me.

[Entrevista publicada no suplemento Actual nº 1952 de 27 de Março, do semanário Expresso]

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Diário - Etty Hillesum (1941 - 1943)



Acabei mesmo agora de o ler e fi-lo numa penada.
Sim, o Diário é do tempo da guerra;
Sim é mais um judia...

No entanto sendo um fabuloso relato de uma vida interior não trás aqueles relatos fortíssimos dos horrores dos campos. DEscansem as mentes mais sensíveis.

Fez-me lembrar o livro do Primo Levi que tinha acabado de ler há pouco ao referir as formas com que cada um arranjava força para resistir a tão grande pressão (Cf. os que sucubem e os que se salvam - Págs 144 a 147). Etty resistiu interiormente graças a uma aproximação a Deus

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Via wikipédia

Etty Hillesum

Esther Hillesum nasceu a 25 de Janeiro de 1914, em Middelburg (Holanda). Quando tinha 10 anos de idade, mudou-se com a família (os pais e os dois irmãos, Mischa e Jaap, ambos mais novos que ela) para Deventer. Foi nessa cidade que cresceu e fez parte dos seus estudos, no liceu onde o seu pai era reitor, rumando a Amesterdão aos 18 anos de idade, para estudar Línguas Eslavas. Em Fevereiro de 1941 conheceu o psicoquirologista Julius Spier, com quem iniciou tratamento. Tornaram-se amigos e amantes, apesar dos compromissos que tinham com outras pessoas e da grande diferença de idades — Etty tinha 27, Spier estava na casa dos 50. Spier esteve na origem do interesse que Etty desenvolveu pela psicologia, e também na sua aproximação a Deus (embora de origem judaica, a sua educação foi muito pouco orientada pelos preceitos da religião; o diálogo com Deus tornou-se mais intenso e frequente já na idade adulta). A 9 de Março de 1941 começou a escrever o primeiro de oito diários, onde encontramos as suas reflexões pessoais e sobre a humanidade (exercício influenciado pelas sessões de tratamento com Spier), a sua vida académica (onde sobressaem o interesse pelo estudo da língua russa e a leitura apaixonada da obra de Rainer Maria Rilke), o círculos de amigos e o seu testemunho da segunda Guerra Mundial em território holandês. A 15 de Julho de 1942 começou a trabalhar como dactilógrafa no Conselho Judaico (órgão burocrático criado pelos alemães para comunicar com a comunidade judaica), na secção de «Apoio aos convocados para transporte». Habituada ao trabalho académico intelectualmente estimulante, enfastiava-se no Conselho Judaico, o que a impeliu, a par de outros funcionários do Conselho, a decidir voluntariar-se para prestar apoio no campo de trânsito de Westerbork (na província holandesa de Drenthe), onde muitos judeus trabalhavam e viviam (em barracas), antes de serem levados para os campos de concentração e extermínio. Partiu para esse campo em Agosto, não obstante ter regressado a Amesterdão numerosas vezes (numa delas para acompanhar os últimos dias de vida de Spier, que morreu de doença em Setembro de 1942). A última entrada do seu diário de que há conhecimento data de 13 de Outubro de 1942. Em Setembro de 1943, Etty foi deportada para Auschwitz, vindo a falecer em Novembro desse ano.

SOLAR




Estou a ler o Solar, de Ian McEwan... sou fã, assim como muitos portugueses.

Solar, como o título pode indiciar, trata de um assunto que assusta o planeta, mas não abandona um tema tradicional e caro a McEwan. O primeiro caso são as alterações climáticas. O segundo, as dificuldades de relacionamento entre pessoas, designadamente entre marido e mulher.

O romance desenrola-se nos últimos dez anos e é composto por três partes. A primeira parte começa assim: "Ele pertencia a esta espécie de homens – de aparência vagamente desagradável, muitas vezes calvos, baixos, gordos, inteligentes – que são inexplicavelmente atraentes para certas mulheres belas".

A vida pessoal do físico cinquentão é uma verdadeira catástrofe! De certo modo, ele representa o nosso planeta, num fervor crescente de consumo. Consome comida, ficando cada vez mais gordo à medida que o enredo avança e... consome mulheres! O romance inicia-se com a ruína do seu quinto casamento, na segunda parte, uma outra mulher e um filho...e finalmente, na terceira parte um outro envolvimento, desta vez no deserto do Texas onde irá ser inaugurada a revolucionária central solar. O mundo poderia ser salvo, mas ele estava perdido.

A não perder!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os que sucumbem e os que se salvam



Li o livro em 3 ou 4 dias, mas teria sido capaz de o ter feito num só, havendo disponibilidade de tempo para tal.

É profundíssimo

Cito a sinopse:
"Quarenta anos depois do clássico Se Isto é Um Homem, Primo Levi, consciente de que o Holocausto corria o risco de, pouco a pouco, ser apagado da memória colectiva, voltou ao tema dos campos de concentração nazis com a apaixonada e apaixonante clareza de toda a sua obra.
O resultado, foi este livro de 1986 - um ano antes do seu suicídio - no qual procura respostas para perguntas que nunca deixaram de o obcecar até ao fim.
Quais são as estruturas hierárquicas de um sistema autoritário e quais as técnicas para aniquilar a personalidade de um indivíduo?
Que relações se criam entre opressores e oprimidos?
Quem são os seres que habitam a "zona cinzenta" da colaboração?
Como se constrói um monstro?
Era possível compreender de dentro a lógica da máquina do extermínio? Era possível revoltar-se?
Finalmente, como funciona a memória de uma experiência extrema?
Questões infelizmente, ainda hoje, bem actuais e a que Primo Levi responde com a sua lucidez extrema e no estilo seco e descarnado que lhe é tão próprio."


Quanto a mim penso que o livro acaba por ser uma justificação do próprio suicídio de Primo Levi. As questões que as pessoas que ele encontravam eram já tão ilógicas que ele as sentia cada vez mais como uma acusação: Porque não resististe? Porque não te revoltaste? Porque sobreviveste se outros morreram?

Consciente ou não sente-se acusado e a necessitar de se justificar!!!

O Capitulo V: Violência inútil é especialmente profundo e revelador da condição humana...

Também a "zona cinzenta" dá muito que pensar e desfaz o mito do opressor e das vítimas cada um do seu lado da barricada imaginando nós que os oprimidos colaboraram todos entre si...

Em Auschwitz, a «zona cinzenta» é aquela «onde o bem e o mal não estão nitidamente delimitados, onde as vítimas e os seus perseguidores se encontram por vezes do mesmo lado, o dos prisioneiros». Primo Levi pormenoriza: «O interior dos campos era um microcosmos intricado e estratificado; a ‘zona cinzenta’, a dos prisioneiros que, em qualquer medida, se calhar mesmo por bem, colaboraram com a autoridade, não era estreita, pelo contrário, constituía um fenómeno de importância fundamental para o historiador, o psicólogo e o sociólogo. Não há prisioneiro que não se lembre disso, e que não se lembre do seu espanto na altura: as primeiras ameaças, os primeiros insultos, as primeiras pancadas não provinham dos SS, mas sim de outros prisioneiros, de ‘colegas’ daquelas misteriosas personagens que no entanto vestiam a mesma túnica às riscas que eles, os recém-chegados, acabavam de envergar

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«Os que se salvaram do ‘Lager’ não foram os melhores, os predestinados ao bem, os portadores de uma mensagem: tudo o que vi e vivi demonstrava o exacto contrário. Sobrevieram de preferência os piores, os egoístas, os violentos, os insensíveis, os colaboradores da ‘zona cinzenta’, os bufos

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Que boa lição para a minha ingenuidade. Pensar que perante uma mesma dificuldade todos reagem da mesma forma e todos se preocupam em suavizar ou minimizar o sofrimento do outro...