segunda-feira, 1 de outubro de 2007

263 - Tempo de nostalgia



Como o tempo passa!
Esta manhã, na rádio, soube já lá vão 25 anos sobre a morte de Adriano Correia de Oliveira. Ele foi um companheiro certo e fiel nos meus dias de coimbra. Lembro-me bem do dia da sua morte e da notícia ouvida na Rádio Universidade na Cantina Geral.
Afinal continuaste durante muito tempo a acender no meu o teu cigarro.

Este dia tem sido bem recheado de memórias de uma época vivida intensamente...














Canção com lágrimas

Eu canto para ti o mês das giestas
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera.
Manuel Alegre
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"Canção com lágrimas", para além de dar voz ao desassossego de uma nação, traduz uma experiência pessoal do poeta Manuel Alegre, que perdera um amigo na Guerra Colonial. Adriano Correia de Oliveira escolheu este poema em nome da mágoa causada pela morte, na Guerra de Angola, do seu amigo e companheiro José Manuel Pais, rás da república Rás-Te-Parta. Um irmão que nunca esqueceu. Em sua homenagem deu a seu filho o nome de José Manuel."

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