quinta-feira, 16 de maio de 2013

1571 - Beijo de saudade

Porque há momentos mágicos e duetos fantásticos (e improváveis) e ainda porque apetece ouvir sem parar, seja pela voz da Mariza, pela voz do Tito, pela voz do Sax, pela morna, pela saudade, ...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

1570 - um pouco mais...













Quási  

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indicios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sôbre os precipícios...

Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

terça-feira, 14 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

1569 - Cais das tormentas


















Por um pão
por uma sopa
pela roupa de moscatel
com que visto a minha boca
pelos barquinhos de papel
soletrados na bruteza
da marítima aventura
nas valetas de uma rua
que a lua quis encobrir
pelas nervuras do silêncio
que pulsa dentro de um ovo
voltaria aqui de nov
carregado de lonjura...

Só para de novo partir.

José Fanha

sábado, 4 de maio de 2013

A Missão de Ferreira de Castro

Penso que já mais de uma vez tive oportunidade de aqui manifestar o meu apreço pelos alfarrabistas!
Um destes domingos rotineiros em que me dirigia ao mercado para comprar o almoço do dia (um tradicional peixe para grelhar) dou de caras com a edição dos livros de bolso da Europa América. Nem hesitei e comprei-o logo, até porque o preço era mesmo irrisório: uns meros 50 cêntimos.

Confesso que a leitura do pequeno livro com 134 páginas me encheu as "medidas", sendo que, para mais, o final é absolutamente surpreendente!

A trama conta-se em poucas palavras:

Em plena II Guerra Mundial, em França, coloca-se a questão de assinalar ou não um convento, para que este possa ser visto a partir do ar,  pelos bombadeiros alemães, salvaguardando-o assim, graças às convenções internacionais. A questão que se coloca é que assinalar este convento, equivale a denunciar um edifício semelhante (primitivamente um convento de freiras adaptado a fábrica que contribuía para o esforço de guerra francês), pondo em risco a vida dos operários e das famílias que viviam nas habitações em torno: «As mesmas letras que nos protegerem podem representar uma sentença de morte para os homens que ali trabalham.» Após o que (se) pergunta, retòricamente, se as vidas de pouco mais duma dezena de religiosos valerá mais do que as daqueles.

É o que se chama verdadeiramente uma "leitura por prazer"

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Livros para ler!

Confesso que fiquei impressionado!

Tive oportunidade de fazer uns arrumos e "pegar" numa estante.
Nesta estante costumo colocar os meus livros para "ler nas férias".

Acabo de constatar que os livros para "ler nas férias" já ocupam duas prateleiras, sendo que em cada prateleira tenho colocadas duas fileiras de livros!

Ou não tenho as férias que mereço ou não vou ter férias suficientes para ler tanta coisa que desejo! hum...


1905 - (da consciência de existir) O uso do telemóvel e a perda da experiência ao vivo

  Há u m gesto que se tornou quase inevitável em qualquer espetáculo ao vivo: o erguer do telemóvel. No caso de um concerto em sala de espet...