sábado, 20 de fevereiro de 2010

Das árvores




Movida pelo pedido de uma colega de escola, trouxe para leitura de fim de semana A árvore, de Sophia de Mello Breyner Andresen. O livro inclui também o conto "O espelho ou o retrato vivo", sendo ambos inspirados em contos japoneses, como nos explica a autora numa nota inicial.

Deliciei-me com a leitura (rápida, mas intensa!) à beira-mar, temperada por uns raios de sol quentinhos... Concluo que esta é mais uma "arca" quase inesgotável da nossa literatura. Sophia de Mello Breyner Andresen surpreende-nos sempre. A simplicidade (vulgo claridade) das suas palavras, remeteu-me de imediato para uma actividade de intertextualidade que proporei a propósito deste seu livro e da obra A árvore generosa, de Shel Silverstein. Partindo da utilidade da árvore, procurarei chegar à "importância das pessoas"... em qualquer idade!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O bichinho de conto ponto pt

A tarde de hoje (6ª feira) foi dedicada a uma ida a Óbidos a propósito de ir à procura de uma livraria especializada em literatura infantil da qual a Jacky e a Margarida me tinham falado antes do Natal a propósito dos livros da Ilustradora Suzy Lee)...

(http://www.obichinodeconto.pt/ )

Valeu bem a pena os 160 km andados (ida e volta...)

Ainda comi qualquer coisa em Óbidos e aproveitei para "namorar" com a vila e deliciar-me na leitura de mais umas páginas de "A peste" de Camus.


Depois...



Foi absolutamente fantástico!

Foi absolutamente fantástico ver uma escola primária abandonada transforma-se numa livraria com livro infantil. Que beleza! Que encanto!
Como é belo saber que um sítio por onde passaram crianças a aprender as primeiras letras é agora local onde as letras são promovidas para chegarem a outras crianças
O local é belo e tem uma vista fantástica sobre Óbidos, a lagoa de Óbidos e Foz do Arelho...

O atendimento é excelente e a livraria tem obras fora do comum (gastei um balúrdio... ver mais abaixo no post)

Terminei profudamente comovido com a exposição, numa das antigas sala de aula da Escola (espaço para exposições agora) de uma exposição de ilustrações da obra "o que se vê no ABC" feitas pela Danuta Wojciechowska.
As primeiras letras numa sala onde tantos aprenderam as primeiras letras. Afinal a escola não morreu...
Lindo... só visto...





















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Comprei:
- Onde vivem os monstros de Maurice Sendak da Kalandraka
- Chat de Laurent Grisel e Benoît Jacques
- Alice in Wonderland - Suzy Lee

e

- Bleu sur Bleu de Katsumi Komogata
Este é fabuloso. Ora vejam as formas, os relevos e os recortes:



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O estrangeiro - Albert Camus


No ano em que se celebra o 50º aniversário da morte de Albert Camus (4/1/1960)
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O Estrangeiro é a história de Meursault, um homem que vive uma vida, que talvez não devesse ser contada. Pois ele vive vazio de emoções, incapaz de sentir amor, saudade, ódio, medo, ou qualquer outra emoção. A sua vida vai-se desenrolando como se ele fosse um estrangeiro, não em relação a um país, mas em relação à humanidade.
O livro é intressantíssimo de ler por encontrarmos alguém tão ingénuo, tão friamente coerente consigo próprio e que leva essa lógica até ao fim, sendo o leitor confrontado com um drama que não imaginaria que pudesse acontecer.


É um livro que se lê numa tarde... e é uma obra que foi prémio Nobel.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ora aqui está uma campanha de promoção da leitura 5 estrelas



Não sei como é que ainda não implementaram isto por estes lados, logo nós que gostamos de nos comparar com o estrangeiro.

Os comentários à imagem levar-nos-iam muito longe...

No entanto, agora que penso bem no assunto prefiro levar o raciocínio para a ideia da valorização social da leitura e da representação que o livro ainda tem nas populações.
O comerciante acha (e bem) que um dos motivos que pode levar à compra das cuecas é ter direito ao bem socialmente reconhecido e valorizado: O livro

Imagem retirada daqui

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

56 - Dia da memória do holocausto 27 de Janeiro
























O comboio tem muitos vagões,
não é como aquele que apanhávamos para ir à praia.

Na estação há gente com malas.
Vamos em fila, em silêncio
Os soldados vigiam.

Por cima do portão de entrada
vejo um relógio grande,
altifalantes e holofotes.
























Pensamentos finais:
- O tema liga-se profundamente à temática das conferências de ontem na Gulbenkian (post na Gulbenkian a (re)pensar a educação). Afinal trata-se de questões de cidadania, direitos do Homem e de memória.
- Quem disse que a literatura infantil era uma literatura menor?
- Quem disse que com as crianças não se podem falar todos os temas? os da vida e os da morte?

(Fumo - Antón Fortes & Joanna Concejo, OQO editora)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ensaio sobre a cegueira



Nestes tempos, pós terramoto no Haiti, não deixo de me lembrar do livro do José Saramago: "ensaio sobre a cegueira"
É caso para dizer que a realidade supera a ficção...

O que a mim me impressiona mais foi que, ao ler o livro, sempre achei que a ficção era bastante plausível tendo em conta os múltiplices tipos de cegueira...

O enredo conta-se em poucas palavras:
A cegueira começa num único homem, durante a sua rotina habitual. Quando está sentado no semáforo, este homem tem um ataque de cegueira, e é aí, com as pessoas que correm em seu socorro que uma cadeia sucessiva de cegueira se forma… Uma cegueira, branca, como uma mar de leite e jamais conhecida, alastra-se rapidamente em forma de epidemia. O governo decide agir, e as pessoas infectadas são colocadas de quarentena com recursos limitados e que irá desvendar aos poucos as características primitivas do ser humano. A força da epidemia não diminui com as atitudes tomadas pelo governo, e depressa o mundo se torna cego.
Todos os sentimentos/atitudes desenrolam-se na obra: poder, obediência, ganância, carinho, desejo, vergonha; dominadores, dominados, subjugadores e subjulgados.

Vale a pena ler de novo.

Agradeço à Jacky a possibilidade que me deu em conhecer a obra de Saramago

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...