quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Leituras de férias II

Saramago não deixa de me surpreender...

Este deve ser o sétimo ou oitavo livro que dele leio. Acho-o notável na crítica social e política como por exemplo em "Levantado do Chão", "o Ano da morte de Ricardo Reis"  ou n "o Memorial do convento". A crítica à religião oca e beata no "Evangelho segundo Jesus Cristo", "Caim" "As intermitências da morte" e muitos outros. No "O homem duplicado", José Saramago constrói uma ficção extraordinária, apoiada numa questão extremamente atual e inquietante: a perda de identidade no mundo globalizado, tema também abordado em "Ensaio sobre a cegueira".

É fantástico como Saramago consegue ser tão polivalente na abordagem de diversos temas. Esta é uma história com quatro personagens e que, mais uma vez não é contextualizado nenhum nome de cidade, país ou data , história esta que se lê de um fôlego e na qual Saramago se revela mestre do suspense. Este é um livro que nos faz lembrar um thriller e que tem um final absolutamente surpreendente. 


terça-feira, 28 de agosto de 2012

1521 - Dançar na corda bamba



A vida é como uma corda
De tristeza e alegria
Que saltamos a correr
Pé em baixo, pé em cima
Até morrer

Não convém esticá-la
Nem que fique muito solta
Bamba é a conta certa
Como dança de ida e volta
Que mantém a via aberta

Dançar na corda bamba
Não é techno, não é samba
É a dança do ter e não ter
É a dança da Corda Bamba

Salta agora pelo amor
Ele dá o paladar
Mesmo que a tua sorte
Seja a de um perdedor
Nunca deixes de saltar

Se saltares muito alto
Não tenhas medo de cair (baby)
De ficar infeliz
Feliz a cem por cento
Só mesmo um pateta feliz

Dançar na Corda Bamba
Não é techno, não é samba
É a dança do ter e não ter
É a dança da Corda Bamba

Clã

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

1520 - Relatos de férias II

 Bom, já que me decidi em fazer o relato das férias do fim para o princípio, não posso deixar de referir o regresso a casa.

O jardim parecia uma selva! como as árvores, arbustos, relva crescem em tão pouco tempo. Já nos levou 3 dias a tratá-lo e a pô-lo como deve ser e ainda já se encheu um contentor e meio (da Câmara) com as podas/cortes e limpezas. Uff... hoje fiquei de rastos com as roseiras que, para ainda terem nova floração antes do inverno necessitavam mesmo de serem tratadas... muitos picos e arranhões custam uma rosa!

Fiquei maravilhado com a minha macieira! nem consegui contar as maçãs que já colhi... muito mais de 50 sem contar com as que ainda ficam na árvore a amadurecer um pouco mais. E se elas são deliciosas. Valeu bem a pena o trabalho que tive com ela no Inverno a tratá-la e a podá-la. As árvores são como as pessoas: têm fases, também sofrem e têm momentos muito felizes!

Já a jovem amendoeira  me deu a sua primeira amêndoa que guardarei para recordação. Para o ano que vem a história já será outra. Que grande que ela já está ao fim de dois anos! 

Confesso que a vida do agricultor me fascina: conhecer os ritmos da natureza, entendê-los, perceber que o corte é necessário e é inerente ao crescimento!


Bucólica

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.




Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937

Leituras de férias I

Apesar de muito descritivo no referente a paisagens ( razoável pois o deslumbramento leva a isso e tantas e tantas vezes me apetece fazer o mesmo em relação a paisagens que me maravilham(aram)) este é um livro que nos dá prazer de ler pois:
- Algumas descrições de gentes são perfeitamente atuais ( infelizmente, digo eu, pois significa que a mesma pobreza se mantém e dura geração após geração).
- O saber receber das boas gentes dos Açores
- As referências a artes e ofícios: as artes da pesca, a pesca à baleia são de uma beleza indescritível.
- A riqueza dos diálogos e do falar da gente do povo.
- Também achei fabuloso que a ideia que eu tenho de um certo Funchal já existisse há cerca de 100 anos atrás: A hipervalorização do turismo inglês que leva a que tudo gire em volta deles: As informações em Inglês, as vendas, um certo rebaixamento em função do turista inglês, uma certa pedinchice


 
Sinopse ( a partir do site wook)
Em 1924 Raul Brandão fez uma viagem aos arquipélagos dos Açores e da Madeira num grupo de intelectuais - entre eles Vitorino Nemésio - promovida pelos autonomistas. Dessa visita, das suas impressões e anotações, surgiu o livro As Ilhas Desconhecidas - Notas e Paisagens, em que não só descreve com particular fulgor a beleza natural das ilhas, como observa a condição do seu habitante. Obra fundamental na formação da imagem (interna e externa) destes territórios, As Ilhas Desconhecidas tornou-se um dos mais importantes e belos livros de viagem da literatura portuguesa.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

1519 - Puro bom gosto! (que não me sai da cabeça)




(Não tanto a letra que é um pouco delicodoce mas a harmonia, as vozes e a guitarra, claro!
E no Verão que outra coisa esperar que não o delicodoce?)

Perdóname

Pablo Alborán y Carminho

Si alguna vez preguntas el por que?
No sabre decirte la razón
Yo no la se
Por eso y más
Perdóname?

Ni uuuna sola palabra mas
No mas besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que si

Ni uuuna sola palabra mas
No mas besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que si

Si alguna vez
Creíste que por ti
O por tu culpa me marche
No fuiste tu
Por eso y más
Perdóname...

Si alguna vez te hice sonreír
Creiste poco a poco en mi
Fui yo lo se
Por eso y más
Perdóname...

Ni uuuna sola palabra mas
No mas besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que si

Siento volverte loca
Darte el veneno de mi boca
Siento tener que irme así
Sin decirte adios

Siento volverte loca
(Siento volverte loca)
Darte el veneno de mi boca
Siento tener que irme así
(Siento tener que irme así)
Sin decirte adios
(Sin decirte adios)

Ni uuuna sola palabra mas
No mas besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que si

Ni uuuna sola palabra mas
No mas besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que si

Perdóname...

Perdoa-me

Se alguma vez te perguntaste o porque ?
Não sei dizer-te a razão
Eu não sei
Por isso e mais
Perdoa-me?

Nem uma palavra mais
Não há mais beijos ao amanhecer
Nem uma só carícia haverá
Isto acaba aqui
Não há maneira e forma
De dizer que sim

Nem uma palavra mais
Não há mais beijos ao amanhecer
Nem uma só carícia haverá
Isto acaba aqui
Não há maneira e forma
De dizer que sim

Se alguma vez
Acreditaste que por ti
Ou por tua culpa eu fui embora
Nao foste tu
Por isso
Perdoa-me

Se alguma vez te fiz sorrir
Acreditaste pouco a pouco em mim
Fui eu , sei-o
Por isso e mais
Perdoa-me

Nem uma palavra mais
Não há mais beijos ao amanhecer
Nem uma só carícia haverá
Isto acaba aqui
Não há maneira e forma
De dizer que sim

Estou a ficar louca
Dar-te o veneno da minha boca
Sinto que tenho de ir assim
Sem dizer Adeus

Estou a ficar louca
(estou a ficar louca)
Dar-te o veneno da minha boca
Sinto que tenho de ir assim
(sinto que tenho de ir assim)
Sem dizer Adeus
(sem dizer adeus)

Nem uma palavra mais
Não há mais beijos ao amanhecer
Nem uma só carícia haverá
Isto acaba aqui
Não há maneira e forma
De dizer que sim

Nem uma palavra mais
Não há mais beijos ao amanhecer
Nem uma só carícia haverá
Isto acaba aqui
Não há maneira e forma
De dizer que sim

Perdoa-me

Mas nota-se tanto assim o prazer da leitura?

Desde há muitos anos que passo férias numa mesma praia. Confesso, pelas razões que adiante exporei, que não fixo muitas caras, embora haja algumas que retenho, pois frequentam a mesma praia e dessas que retenho há famílias cujos filhos, ao fim de tantos anos já se foram fazendo homens e mulheres.

Tenho uma rotina de férias que não mudo de há muito: praia de manhã e tarde, muita leitura, banhos e alguma conversa e à noite um passeio até ao café com um livro debaixo de um braço.

Confesso-me um bom leitor e com um ritmo de leitura que varia entre 100 a 150 páginas por dia dependendo das conversas e do interesse que o livro me vai despertando.Este ano, para compensar o ano anterior em que optei por levar para férias livros de algum fôlego (A montanha mágica e o homem sem qualidades) resolvi retomar o ritmo de livros mais pequenos para "despachar" uma enorme quantidade de livros que tinha por ler.

Vamos à situação...
Este ano, num dos últimos dias de praia, após uma vinda de um banho, sou abordado por um homem já de alguma idade que confesso desconhecer e que me pergunta de cofre:
- Quantos livros lê por mês?

Confesso que fiquei a pensar...

respondi:
- Depende...  em férias leio bastante, mas em tempo de aulas varia de acordo com o facto de usar transportes públicos ou não (com a agravante, acrescento eu, de este ano e do anterior, ter andado às voltas com a tese e só ter lido teses e artigos científicos)
- Ah, é que ano spós ano, eu vejo-o sempre a ler e à noite também o vejo com um livro debaixo do braço
- Pois... (respondo embaraçado) estas férias (cerca de 10 dias) já li sete...
- Ah, e de que género?
- Ficção, história... respondi eu.

E a conversa ficou mais ou menos por aqui (perguntou-me a minha formação de base)

Fiquei mesmo perplexo. Fiz um esforço de memória e ver se recordava a cara do homem de anos anteriores, mas nada! Não me recordo da cara. Fiquei na dúvida se devia deixar de ler na praia e me concentrar mais no que se passa ao meu lado, se manter o hábito de leitura. No fim de contas há gente que nem me recordo de as ter visto neste ano, nem em anos anteriores!

Desconhecia é isto dava tanto nas vista!
Este embaraço impediu-me de manter o ritmo nos dois dias que se seguiram pois a família só se metia comigo...

Enfim...

(Se calhar até fiquei orgulhoso!) 

1518 - Um maravilhoso dia de férias

 Desta vez começo o relato das férias ao contrário (começando do fim para o princípio).

(Pausa para referir que me custou imenso retomar a vinda ao computador após uns dias em que o ritmo e rotinas foram absolutamente outros e que só hoje me apeteceu partilhar um momento tão extraordinário).

Após o regresso a casa já há dois ou três dias, apeteceu-nos voltar à praia. A ida ao Portinho da Arrábida revelou-se fenomenal!

Uma tarde de calor e uma água quente como acho que nunca tive no Portinho. Nadar, ler, conversar, nadar, ...  Assim se passou das 15h às 20h... que dia! que pôr-do-sol.  

Recordo ainda o banho já às oito, a partir da esplanada do café onde se bebia uma imperial!

Pudessem todas as férias de toda a gente, mais do que ter mais ou menos dias, terem dias qualitativamente bons e relaxantes.

Se não há felicidade, há dias felizes!

E o que mais se podia pedir que não ouvir o Jorge Palma e o "encosta-te a mim" na RFM de regresso a casa?