segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

1449 - o tempo, sempre o tempo

Há alturas em que tudo parece concentrar-se, dando a ideia de que o tempo não é todo igual, tendo este sequências qualitativamente diferentes...

Esta gestão e vivência do tempo acaba por ser uma "arte" e uma aprendizagem nunca completamente feita.

Se bem que, por agora, me ocupo da gestão do tempo futuro, tal a dimensão e a torrente das tarefas que me ocupam a mente por este dias, também me gosto de rever neste texto do Chico Buarque

Vou
Uma vez mais
Correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem
Ou
Alguém o achou
Examinou
Julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado
E está arrependido o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
Um pedaço de vida, vida
A vida que eu não gozei
Eu não respirei
Eu não existia
Mas eu estava vivo
Vivo, vivo
O tempo escorreu
O tempo era meu
E apenas queria
Haver de volta
Cada minuto que passou sem mim
Sim
Encontro enfim
Iguais a mim
Outras pessoas aturdidas
Descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em leilão
São
Mais de um milhão
Uma legião
Um carrilhão de horas vivas
Quem sabe, dobram juntas
As dores coletivas, quiçá
No canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
As nossas sobrevidas
Vidas, vidas
A se encantar
A se combinar
Em vidas futuras
E vão tomando porres
Porres, porres
Morrem de rir
Mas morrem de rir
Naquelas alturas
Pois sabem que não volta jamais
Um tempo que passou

2 comentários:

  1. Muito bom...a tua introdução e a canção...
    Obrigada...
    espero que não tenhas tantos testes como eu...para ver!

    Bj

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  2. Blueshell:

    É tudo: trabalhos, tese, idas a escolas, formação, eu sei lá!

    Mas... estou vivo

    bjs

    João

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