quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

140 - E quando nada nos apetece?



















E quando não nos apetece nada e estamos de mal com o mundo, com o país, com os outros, connosco mesmo, sem que haja um motivo específico ou saibamos porquê...

E quando não há mesmo paciência para aturar isto, porque não.

E quando estamos cheios de ouvir auto-justificações e auto-elogios e tanta desfacatez...

E quando já transbordou a nossa taça e estamos cheios.

E quando

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E se descobrissemos, sem que por isso nos estejamos a pôr no pedestal, que a Sophia estava cheia de razão ao escrever o poema

E se descobríssemos que o problema pode estar no facto de muitos calcularem e tu não o saberes fazer e, com isso, poderes dar como os "costados no chão"

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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen


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imagem retirada daqui

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