quinta-feira, 31 de agosto de 2006

81 - Ah, l'été...


















L'ÉTÉ INDIEN
Joe Dassin

Tu sais, je n'ai jamais été aussi heureux que ce matin-là
Nous marchions sur une plage un peu comme celle-ci
C'était l'automne, un automne où il faisait beau
Une saison qui n'existe que dans le nord de l'Amérique
Là-bas, on l'appelle l'été indien mais c'était tout simplement le nôtre
Avec ta robe longue tu ressemblais à une aquarelle de Marie Laurencin
Et je me souviens, je me souviens très bien de ce que je t'ai dit ce matin-là
Il y a un an, y a un siècle, y a une éternité

On ira où tu voudras, quand tu voudras
Et on s'aimera encore lorsque l'amour sera mort
Toute la vie sera pareille à ce matin
Aux couleurs de l'été indien

Aujourd'hui, je suis très loin de ce matin d'automne mais c'est comme si j'y étais
Je pense à toi - où es-tu, que fais-tu, est-ce que j'existe encore pour toi?
Je regarde cette vague qui n'atteindra jamais la dune
Tu vois, comme elle je reviens en arrière
Comme elle je me couche sur le sable et je me souviens
Je me souviens des marées hautes, du soleil et du bonheur qui passaient sur la mer
Il y a une éternité, un siècle, il y a un an

terça-feira, 29 de agosto de 2006

80 - Leituras de Verão

Como é habitual no Verão pude dedicar-me a pôr em ordem as minhas leituras. Aqui ficam elas:
  • Diogo Freitas do Amaral - D. Afonso Henriques, Biografia. Bertrand Editora

Foi um livro de fácil leitura pois está escrito de modo a que "leigos" o possam entender. Foi uma descoberta em relação ao Freitas do Amaral.

  • Rosa Montero - Historia del Rey Transparente. Alfaguara

Está escrito em Espanhol e dele não conheço tradução em Português. Livro lindíssimo que retrata a condição humana situando a narrativa em plena idade média. Foi uma aprendizagem de muitos factos da Idade média e o colocar-se na pele da personagem central da história vivendo os seus dramas interiores e a sua aprendizagem de vida.

  • Umberto Eco - A Ilha do dia antes. Difel

Não consegui acabar de ler apesar de ter um enredo original, apresentando um naufrago isolado num barco abandonado. As referências à história da Itália e França na Idade Média, tornaram a leitura apenas acessível a "experts".

  • Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada - História de Portugal. Caminho

Livros extraordinários que contam a história de portugal de uma maneira fácil e acessível, relatando os acontecimentos e adicionando-lhe dados pitorescos desconhecidos do grande público.

Ah! e ainda houve tempo para preparar a minha tese lendo

  • Judith Bell - Como realizar um projecto de investigação. Gradiva

e

  • Robert K. Yin - Estudo de caso Planejamento e Métodos. Bookman

E não deu para mais. Quando chegarão as próximas férias?

79 - Dans le port d'Amsterdan

















Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui chantent
Les rêves qui les hantent
Au large d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dorment
Comme des oriflammes
Le long des berges mornes
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui meurent
Pleins de bière et de drames
Aux premières lueurs
Mais dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui naissent
Dans la chaleur épaisse
Des langueurs océanes

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui mangent
Sur des nappes trop blanches
Des poissons ruisselants
Ils vous montrent des dents
A croquer la fortune
A décroisser la lune
A bouffer des haubans
Et ça sent la morue
Jusque dans le cœur des frites
Que leurs grosses mains invitent
A revenir en plus
Puis se lèvent en riant
Dans un bruit de tempête
Referment leur braguette
Et sortent en rotant

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dansent
En se frottant la panse
Sur la panse des femmes
Et ils tournent et ils dansent
Comme des soleils crachés
Dans le son déchiré
D'un accordéon rance
Ils se tordent le cou
Pour mieux s'entendre rire
Jusqu'à ce que tout à coup
L'accordéon expire
Alors le geste grave
Alors le regard fier
Ils ramènent leur batave
Jusqu'en pleine lumière

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d'Amsterdam
De Hambourg ou d'ailleurs
Enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps
Qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Dans le port d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam.

Jacques Brel

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

78 - O meu/teu lado lunar

Pois é... quem a ele tiver acesso é que nos conhece mesmo!














Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho

Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não e por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar

Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar

Desvenda-me o teu lado malsão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e runas de amores

Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo

Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso

Não é bem por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar

Carlos Tê (o teu lado lunar)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

77 - Problema de expressão 2

















A ilha

Carlos Tê

Fiz-me ao mar com lua cheia
a esse mar de ruas e cafés
com vagas de olhos a rolar
que nem me viam no convés
tão cegas no seu vogar
e assim fui na monção
perdido na imensidão
deparei com uma ilha
uma pequena maravilha
meia submersa
resistindo à toada
deu-me dois dedos de conversa
já cheia de andar calada

tinha um olhar acanhado
e uma blusa azul-grená
com o botão desapertado
e por dentro tão ousado
um peito sem soutien
ancoramos num rochedo
sacudimos o sal e o medo
falamos de musica e cinema
lia Fernando Pessoa
e às vezes também fazia um poema

e no cabelo vi-lhe conchas
e na boca uma pérola a brilhar
despiu o olhar de defesa
pôs-me o mapa sobre a mesa
deu-me conta dessas ilhas
arquipélagos ao luar
com os areais estendidos
contra a cegueira do mar
esperando veleiros perdidos

terça-feira, 22 de agosto de 2006

76 - os Clã de novo


















imagem retirada daqui

Problema de expressão (Clã)


Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.

75- Dançar na corda bamba (ao vivo!)









Clã - Dançar Na Corda Bamba

A vida é como uma corda
De tristeza e alegria
Que saltamos a correr
Pé em baixo, pé em cima
Até morrer

Não convém esticá-la
Nem que fique muito solta
Bamba é a conta certa
Como dança de ida e volta
Que mantém a via aberta

Dançar na corda bamba
Não é techno, não é samba
É a dança do ter e não ter
É a dança da Corda Bamba

Salta agora pelo amor
Ele dá o paladar
Mesmo que a tua sorte
Seja a de um perdedor
Nunca deixes de saltar

Se saltares muito alto
Não tenhas medo de cair (baby)
De ficar infeliz
Feliz a cem por cento
Só mesmo um pateta feliz

Dançar na Corda Bamba
Não é techno, não é samba
É a dança do ter e não ter
É a dança da Corda Bamba

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

74 - Na terra dos sonhos 2






















Noite dos Mascarados
Chico Buarque/1966
Para o musical Meu refrão


Ele:
Quem é você?

Ela:
Adivinhe, se gosta de mim

Os dois:
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

Ele:
Quem é você, diga logo

Ela:
Que eu quero saber o seu jogo

Ele:
Que eu quero morrer no seu bloco

Ela:
Que eu quero me arder no seu fogo

Ele:
Eu sou seresteiro
Poeta e cantor

Ela:
O meu tempo inteiro
Só zombo do amor

Ele:
Eu tenho um pandeiro

Ela:
Só quero um violão

Ele:
Eu nado em dinheiro

Ela:
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte
Não sei mais dançar

Ele:
Eu, modéstia à parte
Nasci pra sambar

Ela:
Eu sou tão menina

Ele:
Meu tempo passou

Ela:
Eu sou Colombina

Ele:
Eu sou Pierrot

Os dois:
Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser

terça-feira, 1 de agosto de 2006

73 - A vida é a arte do encontro?

















LÁ EM BAIXO
Letra e música: Sérgio Godinho

Lá em baixo ainda anda gente
apesar de ser tão noite
há quem tema a madrugada
e no escuro se afoite
há quem durma tão cansado
nem um beijo os estremece
de manhã acordarão
para o que não lhes apetece
e há quem imite os lobos
embora imitando gente
há quem lute e ao lutar
veja o mundo a andar para a frente

E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro

Lá em baixo ainda anda gente
apesar de ser tão tarde
há quem cresça no escuro
e do dia se resguarde
há quem corra sem ter braços
para os braços que os aceitam
e seus braços juntos crescem
e entrelaçados se deitam
e a manhã traz outros braços
também juntos de outra forma
de quem luta e ao lutar
a si mesmo se transforma

E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro

Lá em baixo ainda há quem passe
e um sonho que anda à solta
vem bater à minha porta
diz a senha da revolta
vou plantá-lo e pô-lo ao sol
até que se recomponha
é um sonho que acordado
vale bem quem ele sonha
lá em baixo, até já disse
que é que tem a ver comigo
e no entanto sobressalto
se me batem ao postigo

E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro

Lá em baixo ainda anda gente
e uma cara desconhecida
vai abrindo no escuro
uma luz como uma ferida
como a luz que corre atrás
da corrida de um cometa
e vejo vales e valados
no sopé duma valeta
lá em baixo ainda anda gente
e uma cara conhecida
vai ateando noite fora
um incêndio na avenida

És tu Maria, eu sei, já sei, és tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro