segunda-feira, 31 de julho de 2006

72 - Um amor infinito


Um Amor Infinito
by Pedro Ayres Magalhães


Dizem que
Um Amor Infinito
Já não há
porque não pode ser
um Amor se Divino
Já não há
Nem há nada a temer
- E eu não acredito...
Não sei como
Eu não acredito...
- E peço para ver
- Eu só peço para ver ainda peço para ver
Um Amor Infinito,
já não há
é impossível haver
Dizem que um Amor
Consentido
Já não há
nem se pode entender
- E eu não acredito...,
- Eu não acredito...
- E peço para ver...
- Eu só peço para ver
- Ainda peço para ver
Dizem que Um Amor Infinito
Já não há
Nem há tempo a perder
Um Amor
Um Princípio
Já não há
Nem há nada a dizer
- E eu não acredito...
Não sei comoEu não acredito...
- E peço para ver
- Eu só peço para ver
ainda peço para ver

71 - Homenagem a um ídolo de infância

Gilles Villeneuve - homenagem a um ídolo

Homenagem a Gilles Villeneuve.
Há muitos, muitos anos, na F1, havia ultrapassagens e dava-se o litro.

70 - Será que existem?





















¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres

Autor: Rafael Alberti
Balada para los poetas andaluces de hoy

domingo, 30 de julho de 2006

69 - Porque um momento pode ser uma espécie de céu

Imagem retirada daqui


Uma espécie de céu,
Um pedaco de mar,
Uma mao que doeu,
Um dia devagar.
Um Domingo perfeito,
Uma toalha no chao,
Um caminho cansado,
Um traco de aviao.

Uma sombra sozinha,
Uma luz inquieta,
Um desvio na rua,
Uma voz de poeta.

Uma garrafa vazia,
Um cinzeiro apagado,
Um Hotel numa esquina,
Um sono acordado.
Um secreto adeus,
Um café a fechar,
Um aviso na porta,
Um bilhete no ar.

Uma praca aberta,
Uma rua perdida,
Uma noite encantada
Para o resto da vida.

Pedes-me um momento,
Agarras as palavras,
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas.
Levas a cidade Solta no cabelo,
Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento.

Uma estrada infinita,
Um anuncio discreto,
Uma curva fechada,
Um poema deserto.
Uma cidade distante,
Um vestido molhado,
Uma chuva divina,
Um desejo apertado.

Uma noite esquecida,
Uma praia qualquer,
Um suspiro escondido
Numa pele de mulher.

Um encontro em segredo,
Uma duna ancorada,
Dois corpos despidos,
Abracados no nada.
Uma estrela cadente,
Um olhar que se afasta,
Um choro escondido
Quando um beijo nao basta.

Um semaforo aberto,
Um adeus para sempre,
Uma ferida que dói,
Nao por fora, por dentro.

Pedes-me um momento,
Agarras as palavras,
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas.
Levas a cidade
Solta no cabelo,
Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento

Pedro Abrunhosa
Momento (uma espécie de Céu)

sexta-feira, 28 de julho de 2006

68 - Coisa mais bonita...

O gato malhado e a Andorinha Sinhá

por Jorge Amado





O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha




Este é um capítulo curto porque o Verão passou muito depressa com o seu sol ardente e as suas noites plenas de estrelas. É sempre rápido o tempo da felicidade. O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente o correr das horas. Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas.
Curto foi o tempo de Verão para o Gato e a Andorinha. Encheram-no com passeios vagabundos, com longas conversas à sombra das árvores, com sorrisos, com palavras murmuradas, com olhares tímidos porém expressivos, com alguns arrufos também.
Não sei se arrufos será a palavra precisa. Explicarei: por vezes a Andorinha encontrava o Gato abatido, de bigodes murchos e olhos ainda mais pardos. A causa não variava: A Andorinha saíra com o Rouxinol, com ele conversara ou tivera aula de canto – o Rouxinol era o professor. A Andorinha não compreendia a atitude do Gato Malhado, aquelas súbitas tristezas que se prolongavam em silêncios difíceis. Entre ela e o Gato jamais havia sido trocada qualquer palavra de amor, e, por outro lado, a Andorinha, segundo disse, considerava o Rouxinol um irmão.
Um dia – dia em que a aula de canto se prolongara para além do tempo costumeiro – quando os bigodes do gato estavam tão murchos que tocavam o solo, ela lhe pediu explicação daquela tristeza. O Gato Malhado respondeu:- Se eu não fosse um gato, te pediria para casares comigo…A Andorinha ficou calada, num silêncio de noite profunda. Surpresa? – não creio, ela já adivinhara o que se passava no coração do Gato. Zanga? – não creio tampouco, aquelas palavras foram gratas ao seu coração. Mas tinha medo. Ele era um gato e os gatos são inimigos irreconciliáveis das andorinhas.Voou rente sobre o Gato Malhado, tocou-o de leve com a asa esquerda, ele podia ouvir os latidos do pequeno coração da Andorinha Sinhá. Ela ganhou altura, de longe ainda o olhou, era o último dia de Verão.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

67 - Mais um Auto-retrato (IV)





















Maria Guinot : Silêncio e tanta gente

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

quarta-feira, 26 de julho de 2006

66 - Le silence est le même




















L'absence
by Serge Reggiani


C'est un volet qui bat
C'est une déchirure légère
Sur le drap où naguère
Tu as posé ton bras
Cependant qu'en bas
La rue parle toute seule
Quelqu'un vend des mandarines
Une dame bleu-marine
Promène sa filleule
L'absence, la voilà

L'absence

D'un enfant, d'un amour
L'absence est la même
Quand on a dit je t'aime
Un jour...
Le silence est le même

C'est une nuit qui tombe
C'est une poésie aussi
Où passaient les colombes
Un soir de jalousie
Un livre est ouvert
Tu as touché cette page
Tu avais fêlé ce verre
Au retour d'un grand voyage
Il reste les bagages
L'absence, la voilà

L'absence

D'un enfant, d'un amour
L'absence est la même
Quand on a dit je t'aime
Un jour...
Le silence est le même

C'est un volet qui bat
C'est sur un agenda, la croix
D'un ancien rendez-vous
Où l'on se disait vous
Les vases sont vides
Où l'on mettait les bouquets
Et le miroir prend des rides
Où le passé fait le guet
J'entends le bruit d'un pas
L'absence, la voilà

L'absence

D'un enfant, d'un amour
L'absence est la même
Quand on a dit je t'aime
Un jour...
Le silence est le même.

terça-feira, 25 de julho de 2006

65 - Uma nova etapa



imagem

retirada

daqui








A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebem-se as certezas num copo de vinho
vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se um descanso por curto que seja
apagam-se as dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Sérgio Godinho :

O primeiro dia

domingo, 23 de julho de 2006

64 - Cinza das horas





















Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas



Adriana Calcanhoto

63- Um dia lá chegaremos...

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

(”Queixa das jovens almas censuradas”,
Natália Correia in O Nosso Amargo Cancioneiro,
Porto: Editora Latitude, 1972)

sábado, 22 de julho de 2006

62 - Auto-Retrato III








Jardins Proibidos

Quando amanheces, logo no ar,

Se agita a luz, sem querer,

E mesmo o dia, vem devagar,

Para te ver.

E, já rendido, vê-te chegar,

Desse outro mundo, só teu,

Onde eu queria entrar um dia,

P'ra me perder.

P'ra me perder, nesses recantos

Onde tu andas, sozinha sem mim,

Ardo em ciúme desse jardim,

Onde só vai quem tu quiseres,

Onde és senhora do tempo sem Fim,

Por minha cruz, jóia de luz,

Entre as mulheres.

Quebra-se o tempo, em teu olhar,

Nesse gesto, sem pudor,

Rasga-se o céu, e lá vou eu,

P'ra me perder.

P'ra me perder, nesses recantos

Onde tu andas, sozinha sem mim,

Ardo em ciúme desse jardim,

Onde só vai quem tu quiseres,

Onde és senhora do tempo sem Fim,

Por minha cruz, jóia de luz.

Paulo Gonzo & Pedro Malaquias

sexta-feira, 21 de julho de 2006

61 - para si próprio contando histórias sem fim
















Vagabundo das Estrelas

Deambulava pela cidade
Atrás dos passos
Tinha um sentido da liberdade
Remotos espaços.

Livre seguia no seu jardim
Para si contando
Histórias sem fim

Fazia do lugar um respirar
Algures dormia
Algures comia

A melodia
Que assobiava para as calandras
Perfumes raros
Que exalavam as noites brandas

Olhava os pássaros
Sorriu assim
E entendia o seu latim

Bebia lento e contemplava
O traço branco
A boca molhava

Muitos passos mede o mundo
Assim me diz quem o sabe
Será grande mas cabe
Nos passos dum vagabundo

Vagabundo das estrelas
Já ninguém se importa ao vê-las
Na esfera a cintilar.

João Afonso

quarta-feira, 19 de julho de 2006

60 -Havia mais qualquer coisa para dizer...

















Ticking away the moments
that make up a dull day
You fritter and waste the hours
in an offhand way.
Kicking around on a piece
of ground in your home town
Waiting for someone or something
to show you the way.
Tired of lying in the sunshine staying
home to watch the rain.
You are young and life is long and
there is time to kill today.
And then one day you find
ten years have got behind you.
No one told you when to run,
you missed the starting gun.

So you run and you run to catch up with the sun
but it's sinking
Racing around to come
up behind you again.
The sun is the same in a relative way,
but you're older,
Shorter of breath and one day
closer to death.

Every year is getting shorter
never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation
is the English way
The time is gone,
the song is over,
Thought I'd something more to say.

TIME (Mason, Waters, Wright, Gilmour)

terça-feira, 18 de julho de 2006

59 - O mais importante na vida






















O mais importante na vida
É ser-se criador - criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.


António Botto, "Curiosidades Estéticas",
in As Canções de António Botto(1999). Lisboa: Presença.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

58- este não é poema, mas que tem algum "sumo" lá isso tem


Os sonhos dos gatos – António Torrado

O gato do telhado, que passava o dia no telhado, e o gato da janela, que passava o dia à janela, quiseram mudar a vida.
- Vamos fazer uma só casa para nós.- propôs um deles.
- Boa ideia! Boa ideia! - aplaudiu o outro.
Não interessa quem falou primeiro. Basta que se saiba, aqui em segredo, que qualquer dos dois gatos era um bocado lunático, de tanto olhar para a Lua em noites de lua cheia...
- Para construir uma casa, temos que começar pelo princípio. - decidiu um deles.
- Pois claro! Pois claro! - concordou o outro.
Até este ponto não houve problemas. Mas as dificuldades já vinham a caminho...
- Começa-se pelo telhado. - sugeriu um deles.
- Começa-se pelas janelas. - contrapôs o outro.
Aqui não se entenderam. Discutiram, miaram, "remiaram", bufaram e até se "agatanharam".
- Vou construir a minha casa sozinho. - disse um deles.
- E eu vou construir a minha casa sem mais ajuda. - disse o outro.
Estava desfeita a sociedade. Cada qual foi para seu lado.
Que pena!
Ficaram então sem casa?
Pois claro que sim.Pois claro que não.
O gato do telhado juntou umas telhas, ajeitou umas sobre as outras e miou todo contente:
- Como construtor sou um primor!
Depois adormeceu em cima da sua obra.
O gato da janela juntou umas madeiras, pregou-as umas às outras e miou feliz da vida:
- Na construção sou campeão!
Depois adormeceu atrás da sua obra.
Querem acordá-los do seu sonho de gatos sem eira nem beira?
Querem desiludi-los e dizer-lhes que estão ambos enganados?
Não querem?
Nós também não.

sábado, 15 de julho de 2006

57 - Ah! se tens "ganas de llorar"

Hemos perdido aún este crepúsculo.
Nadie nos vio esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.

He visto desde mi ventana
la fiesta del poniente en los cerros lejanos.

A veces como una moneda
se encendía un pedazo de sol entre mis manos.

Yo te recordaba con el alma apretada
de esa tristeza que tú me conoces.

¿Entonces dónde estabas?
¿Entre qué gentes?
¿Diciendo qué palabras?
¿Por qué se me vendrá todo el amor de golpe
cuando me siento triste y te siento lejana?

(Pablo Neruda)



Si tienes un hondo penar
piensa en mí;
si tienes ganas de llorar
piensa en mí.

Ya ves que venero
tu imagen divina,
tu párvula boca
que siendo tan niña,
me enseñó a pecar.

Piensa en mí
cuando sufras,
cuando llores
también piensa en mí.

Cuando quieras
quitarme la vida,
no la quiero para nada,
para nada me sirve sin ti.

Piensa en Mi
(A. Lara)

sexta-feira, 14 de julho de 2006

56 - Tantas notas sonhadas...





















(Imagem retirada daqui)


Fado da pouca sorte
Ary dos Santos

De manhã a vender na Avenida,
ou à tarde nas ruas da Baixa
está o cauteleiro
a gritar que há horas na vida
à carteira de que não tem
pão porque não tem dinheiro.
Tantos contos que são a taluda,
tantas notas sonhadas só ele
as atira p'ra o ar.
Já que a sorte da gente não muda,
que tristeza termos de pensar
isto vai a jogar.

Quinze mil quatrocentos e três.
Nove mil trezentos e dez.
Mas o mal que o dinheiro nos fez
durante a vida toda...
Amanhã não anda a roda!

Um bilhete que sabe a desgraça,
uma vida passada à espera da terminação.
Mas o cauteleiro é que passa,
a má sorte jogada no duro da aproximação.
A voz lenta apregoa a cautela,
esperança louca de quem nunca teve
uma nota na mão.
Mas a sorte também tem com ela
a miséria de quem fez do jogo
o seu ganha-pão.

Quinze mil quatrocentos e três.
Nove mil trezentos e dez.
Mas o mal que o dinheiro
nos fez durante a vida toda...
Amanhã não anda a roda!

quinta-feira, 13 de julho de 2006

55 - Si no creyera


LA MAZA
(sílvio Rodriguez)

Si no creyera en la locura
de la garganta del sinsonte
si no creyera que en el monte
se esconde el trino y la pavura.

Si no creyera en la balanza
en la razón del equilibrio
si no creyera en el delirio
si no creyera en la esperanza.

Si no creyera en lo que agencio
si no creyera en mi camino
si no creyera en mi sonido
si no creyera en mi silencio.

Que cosa fuera
Que cosa fuera la maza sin cantera
un amasijo hecho de cuerdas y tendones
un revoltijo de carne con madera
un instrumento sin mejores resplandores
que lucecitas montadas para escena
que cosa fuera -corazón- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
un testaferro del traidor de los aplausos
un servidor de pasado en copa nueva
un eternizador de dioses del ocaso
jubilo hervido con trapo y lentejuela
que cosa fuera -corazón- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
que cosa fuera -corazón- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera.

Si no creyera en lo más duro
si no creyera en el deseo
si no creyera en lo que creo
si no creyera en algo puro.

Si no creyera en cada herida
si no creyera en la que ronde
si no creyera en lo que esconde
hacerse hermano de la vida.

Si no creyera en quien me escucha
si no creyera en lo que duele
si no creyera en lo que queda
si no creyera en lo que lucha.

Que cosa fuera
Que cosa fuera la maza sin cantera
un amasijo hecho de cuerdas y tendones
un revoltijo de carne con madera
un instrumento sin mejores resplandores
que lucecitas montadas para escena
que cosa fuera -corazón- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
un testaferro del traidor de los aplausos
un servidor de pasado en copa nueva
un eternizador de dioses del ocaso
jubilo hervido con trapo y lentejuela
que cosa fuera -corazón- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera
que cosa fuera -corazón- que cosa fuera
que cosa fuera la maza sin cantera.

«Unicornio», 1982.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

54- muitas voltas dá o mundo

Doze anos depois...
Na mesma praia e à conversa com amigos
Será que foi possível a utopia?
Viveram-se bons momentos
Fui muito bem recebido.
Viveram-se momentos fantásticos

No entanto
Ainda faz sentido
o velho refrão
Como à espera do comboio
Na paragem do autocarro



Obrigado Carlos.
A promessa está cumprida























Na Terra dos Sonhos
(Jorge Palma)

Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sózinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

segunda-feira, 10 de julho de 2006

53 - Pois, pois... um cruzeiro...















O Cacilheiro
Letra: Ary dos Santos


Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro,
comboio de Lisboa sobre a água:
Cacilhas e Seixal, Montijo mais Barreiro.
Pouco Tejo, pouco Tejo e muita mágoa.

Na Ponte passam carros e turistas
iguais a todos que há no mundo inteiro,
mas, embora mais caras, a Ponte não tem vistas
como as dos peitoris do Cacilheiro.

Leva namorados, marujos,
soldados e trabalhadores,
e parte dum cais
que cheira a jornais,
morangos e flores.
Regressa contente,
levou muita gente
e nunca se cansa.
Parece um barquinho
lançado no Tejo
por uma criança.

Num carreirinho aberto pela espuma,
la vai o Cacilheiro, Tejo à solta,
e as ruas de Lisboa, sem ter pressa nenhuma,
tiraram um bilhete de ida e volta.

Alfama, Madragoa, Bairro Alto,
tu cá-tu lá num barco de brincar.
Metade de Lisboa à espera do asfalto,
e já meia saudade a navegar.

Leva namorados, marujos,
soldados e trabalhadores,
e parte dum cais
que cheira a jornais,
morangos e flores.
Regressa contente,
levou muita gente
e nunca se cansa.
Parece um barquinho
lançado no Tejo
por uma criança.

Se um dia o Cacilheiro for embora,
fica mais triste o coração da água,
e o povo de Lisboa dirá, como quem chora,
pouco Tejo, pouco Tejo e muita mágoa.

52 - Ora aqui está algo que há muito desejava ter feito
















Este era um passeio que há muito queria ter feito.
Ocorreu na semana passada.
De Belém até à EXPO e volta.

sensações?

Antônio Gedeão
Adeus, Lisboa

Vou-me até à Outra Banda
no barquinho da carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
Planta-se o homem no leme.
Tudo ginga, range e treme.
Bufa o vapor na caldeira.
Um menino solta um grito;
assustou-se com o apito
do barquinho da carreira.
Todo ancho, tremelica
como um boneco de corda.
Nem sei se vai ou se fica.
Só se vê que tremelica
e oscila de borda a borda.

Chapas de sol, coruscantes
como lâminas de espadas,
fendem as águas rolantes
esparrinhando flamejantes
lantejoulas nacaradas.
Sob o dourado chuveiro,
o barquinho terno e mole,
vai-se afastando, ronceiro,
na peugada do Sol.

A cada volta das pás
moendo as águas vizinhas,
nos remoinhos que faz,
nos salpicos que me traz
e me enchem de camarinhas,
há fagulhas rutilantes,
esquírolas de marcassites,
polimentos de pirites,
livagens de diamantes,

Numa hipnose coletiva,
como um friso de embruxados,
ao longe os olhos cravados
em transe de expectativa,
todos juntos, na amurada,
numa sonolência de ópio,
vemos, na tarde pasmada,
Lisboa televisada
num vasto cinemascópio.
O sol e a água conspiram
num conluio de beleza,
de elixires que se evadiram
de feiticeira represa.
Fulva, no céu incendido,
em compostura de pose,
a cidade é colorido
cenário de apoteose.
Há lencinhos agitados
nos olhos de todos nós,
engulhos de namorados,
embargamentos na voz.
Nesta quermesse do ar,
neste festival de tons,
quem se atreve a acreditar
que os homens não sejam bons?

Adeus, adeus, ribeirinha
cidade dos calafates,
rosicler de água-marinha,
pedra de muitos quilates.
Iça as velas, marinheiro,
com destino a Calecu.
Oh que ventinho rasteiro!
Que mar tão cheio e tão nu!
Ó da gávea! Põe-te alerta!
Tem tento nos areais.
Cá vou eu à descoberta
das índias Orientais.
Não tenho medo de nada,
receio de coisa nenhuma.

A vida é leve e arrendada
como esta réstea de espuma.
Toda a gente é séria e é boa!
Não existem homens maus!
Adeus, Tejo! Adeus Lisboa!
Adeus, Ribeira das Naus!
Adeus! Adeus! Adeus! Adeus!

domingo, 9 de julho de 2006

51 - Everybody hurts






















Everybody Hurts
R.E.M.

When the day is long
and the night,
the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life,
well hang on

Don't let yourself go,
'cause everybody cries
and everybody hurts
sometimes

Sometimes everything is wrong.
Now it's time to sing along
When your day is night alone,
(hold on, hold on)
If you feel like letting go,
(hold on)
When you think you've had too much of this life,
well hang on

'Cause everybody hurts.
Take comfort in your friends
Everybody hurts.

Don't throw your hand.
Oh, no.
Don't throw your hand
If you feel like you're alone,
no, no, no, you are not alone

If you're on your own
in this life,
the days and nights are long,
When you think you've had too much
of this life to hang on

Well, everybody hurts
sometimes,
Everybody cries.
And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes.

So, hold on, hold on
Hold on,
hold on,
hold on,
hold on,
Everybody hurts.
You are not alone

50 - dor

9 de Julho:

Hoje apetece-me escrever.

“Quem prende a água que corre
é por si próprio enganado;
o ribeirinho não morre
vai correr por outro lado”
António Aleixo

Tenho quase 43 anos. Já consegui muita coisa, já cheguei muito longe, já tive oportunidades que à grande maioria da população não foram dadas ou a elas não conseguiram aceder.
Sei que grande parte do que obtive não foi mérito meu, muito me foi dado e sei que devo ter um “Anjo da Guarda” dos bons mas…
Porque será que tenho esta estranha sensação de sofrimento e de que foi tudo conquistado a custo de sangue, suor e lágrimas? Porque será que raramente consigo saborear “vitórias” e que até parece que, para os outros, devia ter vergonha delas, tal é a “crise” que se estabelece após cada uma delas?
Que sensação de cansaço e desespero. Devia estar feliz por chegar onde muitos quiseram ou desejaram chegar, mas aí chegado parece que tudo é dor e nada pode ser saboreado. Serei algum pecador por ter conseguido chegar lá. Será errado querer sempre mais? Ter a ambição do longe e da distância? Devia ser apenas uma “mosquinha tonta”?
Que diabo! Deus, ou seja lá quem for (quem sabe o demónio) cria-nos com ânsias de infinito, lutamos por isso, e a cada patamar alcançado parece que é errado ter lá chegado e é só dor e cansaço
Se é para desfazer porque é que fez? Disse o poeta e digo eu. Valerá a pena isto tudo? Serão mais felizes aqueles que se acomodam? Será que é errado desejar ser mais e ir mais longe? Estarei errado? Será isso um defeito? Porque não posso “saborear” algumas vitórias? Será que ao fazê-lo serei o culpado de todos os males e injustiças que há por este mundo?
Por vezes parece que incarno o mito de Sísifo. Carrego a pedra e até chego ao cimo da montanha, mas há sempre algo que me impede de saborear, levando à ideia que isso foi um “crime” e que até devia deixar cair a pedra e carregá-la de novo.
Serei assim tão egoísta? Serei egoísta por querer ser mais, por querer mais, por não me acomodar?
Será que o Vasco da Gama e todos aqueles que se foram da "lei da morte libertando" estavam errados?
Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras, deixem-me beber maruvo e saborear e festejar e...

sábado, 8 de julho de 2006

49 - O boxeur II





















(imagem retirada daqui)

Construção
Letra : Chico Buarque 1971

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acbou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

sexta-feira, 7 de julho de 2006

48 - O boxeur

Hoje, sinto-me assim... Levei uma daquelas direitas que nos levam ao chão!
Continua-se a lutar, cai-se, desiste-se?


















The boxer

I am just a poor boy and my stories seldom told
I’ve squandered my resistance for a pocketful of mumbles, such are promises
All lies and jest, still the man hears what he wants to hear
And disregards the rest, hmmmm

When I left my home and my family, I was no more than a boy
In the company of strangers
In the quiet of the railway station, running scared
Laying low, seeking out the poorer quarters, where the ragged people go
Looking for the places only they would know

Li la li...
Asking only workman’s wages, I come looking for a job, but I get no offers
Just a common from the whores on 7th avenue
I do declare, there were times when I was so lonesome
I took some comfort there

Now the years are rolling by me, they are rocking even me
I am older than I once was, and younger than Ill be, that’s not unusual
No it isn’t strange, after changes upon changes, we are more or less the same
After changes we are more or less the same

Li la li...

And I’m laying out my winter clothes, wishing I was gone, going home
Where the new York city winters aren’t bleeding me, leading me to go home

In the clearing stands a boxer, and a fighter by his trade
And he carries the reminders of every glove that laid him down or cut him
till he cried out in his anger and his shame
I am leaving, I am leaving, but the fighter still remains
Yes he still remains?

Simon and Garfunkel

quinta-feira, 6 de julho de 2006

47 - Quase














Mário de Sá-Carneiro
Quase


Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

quarta-feira, 5 de julho de 2006

46 - Faz todo o sentido

Li hoje isto na agenda municipal da C.M. Almada.
Faz todo o sentido...


Nós temos cinco sentidos
São dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?


David Mourão Ferreira

45 - Lisboa

Hoje ouvi um estrangeiro a dizer isto isto em Inglês (poema traduzido) e fez sentido... Até imaginei que ele tinha captado o "espírito português"...
Em sua homenagem e em homenagem à Sophia, aqui fica registado.


Lisboa


Digo "Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se o seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se na sua extensão nocturna
No seu longo luzir de azul e rio
No seu corpo amontoado de colinas...

Lisboa com o seu nome de ser e de não ser
Com os seus meandros de espanto insónia e lata
O seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
O seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construida
Ao longo da sua própria ausência...
Digo o nome da cidade
Digo para ver

(Sophia de Mello Breyner Andersen)

(imagem retirada
daqui)

terça-feira, 4 de julho de 2006

44 - Era preciso dizer isto

Como nestes últimos tempos tenho sentido isto de "ambos os lados" aqui vai, com dedicatória a todos os bons amigos que também têm dado "o litro" por mim.

That´s what friends are for

And I never thought I'd feel this way
And as far as I'm concerned
I'm glad I got the chance to say That I do believe I love you
And if I should ever go away
Well then close your eyes and try
To feel the way we do today and then if you can remember

Keep smilin' keep shinin'
Knowing you can always count on me for sure
That's what friends are for
For good times and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for

Well you came and opened me
And now there's so much more I see
And so by the way I thank you
And then for the times when we're apart
Well then close your eyes and know
These words are coming from my heart
And then if you can remember

Keep smilin' keep shinin'
Knowing you can always count on me for sure
That's what friends are for
In good times and bad times
I'll be on your side forever more
Ohh That's what friends are for

domingo, 2 de julho de 2006

43 - Fly Butterfly

















Voá Borboleta
(Sara Tavares)

Fly butterfly
Spread your pretty litle wings
Makes think of better things
As I watch you fly
Nothing seems to bother you
Though your days are oh, so few
Guess it all looks different from the sky

You can fly, you can fly
Spread your pretty litle wings
Such a short life cicle till you die
You can fly
Oh, that we could learn to live
Each precious moment flying in the sky

Message for the rest of us trying to survive
Those of us who find it hard enough
To be alive
In the midst of all screams
We can just live out our dreams
If we just take of head into the sky

We can fly
Spread our wings and take a chance
Such a short life cicle then we die
like a butterfly
Oh, that we could learn to live
Each precious moment
Flying in the sky

(Quem é a borboleta?)

42 - Hino Nacional - Portugal x Inglaterra


Que emoção!

sábado, 1 de julho de 2006

41 - Esta vitória é para ti, Jorge Perestelo


Sem ti, ver um jogo de futebol nunca mais foi o mesmo...

Aguenta coração

40 -Se eu voar

Eu Sei!
(inspirado no salmo 139)
Sara Tavares


Se eu voar sem saber onde vou
se eu andar sem conhecer quem sou
se eu falar e a voz soar com a manhã
eu sei...

se eu beber dessa luz que apaga
a noite em mim
e se um dia eu disser
que já não quero estar aqui
só Deus sabe o que virá
só Deus sabe o que será
não há outro que conhece
tudo o que acontece em mim

se a tristeza é mais profunda que a dor
se este dia já não tem sabor
e no pensar que tudo isto já pensei
eu sei...

se eu beber dessa luz que apaga
a noite em mim
e se um dia eu disser
que já não quero estar aqui
na incerteza de saber
o que fazer, o que querer
mesmo sem nunca pensar
que um dia o vá expressar
não há outro que conhece
tudo o que acontece em mim