quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Todo o ser vivo necessita de alimento

Todo o ser vivo necessita de alimento. No caso do ser humano, o seu cérebro necessita também de um alimento particular que o estimule, que o mantenha ativo, que favoreça as sinapses. Esse alimento pode ser diversificado. Um deles é a leitura!

domingo, 15 de setembro de 2013

No dia de Aniversário de Manuel Maria Barbosa du Bocage


Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage nasceu em setúbal a 15 de Setembro de 1765. Celebra hoje o seu aniversário (Obrigado Fernanda Ledesma).

Como forma de homenagem ao poeta e a um concelho que passo a servir este ano letivo, partilho um dos sonetos de Bocage de que me muito me lembro em determinados dias menos felizes.


Importuna Razão, não me persigas

Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;

Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Leituras de férias - Gabeiela, Cravo e Canela

Esta também foi uma das minhas leituras de férias deste ano. confesso que foi um enorme prazer.
Uma das primeiras impressões que me ficou do livro é que este estava muito bem escrito e isto fez logo toda a diferença. Considero-me um bom leitor e, ao ler obras como esta, identificamosl ogo quem escreve muito bem e quem escreve medianamente. Definitivamente, Jorge Amado, pertence ao grupo daqueles que escrevem mesmo muito bem!
Há ainda a considerar o facto de um 10/15 página o autor faz o enquadramento do contexto onde se vai desenrolar a ação: ficamos ocnhecedores dos personagens principais, do seu carácter, da trama, do que está em jogo, na narrativa, e isso faz todo o sentido.
Perder-se-á afirmar que o enredo é sucesso garantido: uma cidade que oscila entre um passado que marcou e o confronto com a necessidade de uma certa modernidade e de novas respostas aos problemas. Parece fácil sim, mas quantos escritores o escreveram tão genialmente como Jorge Amado?

A Gabriela,  o seu perfume, o seu caráter, prendem o leitor do início ao fim do livro.

Foi mesmo um enorme prazer!

 
Porque fizeste sultão de mim, alegre menina

Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha

Porque fizeste sultão de mim, alegre menina

Só desejava à campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar (2x)
No baile real levei a tu, alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira

sábado, 7 de setembro de 2013

Isto da leitura digital....

Com um enorme abraço aos meus companheiros de blogue (que me mantém na lista porque são pessoas extraordinárias).

Eu leitora sem tempo me confesso :) fã deste blogue, como fã da leitura.

Deixo-vos um vídeo extraordinário, a fugir ao papel mas a questionar-nos com inteligência e humor sobre isto da leitura digital. Para os que são docentes, votos de um ótimo ano, cheio de desafios!

PS: e prometo vir falar-vos das minhas leituras de férias, um destes dias.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Leituras de férias

Mais umas férias passaram e tive a oportunidade de as aproveitar também para pôr algumas leituras em ordem.Partilho-as aqui

Umas das primeiras foi "o silêncio do mar", um  livro escrito no decurso da II Guerra Mundial por Vercors (pseudónimo de Jean Bruller), ilustrador e escritor francês, que integrou a Resistência gaulesa durante aquele conflito. 

Trata-se de um pequeno livro onde se narra a história dos longos meses de convívio do narrador e sua neta com um oficial das SS, Werner von Ebbrenec. O oficial é músico de formação e vai ocupar uma parte da casa dos franceses. Estes, não podendo resistir de forma activa, opõem-se-lhe como podem. Com o silêncio, com o qual procuram fazer-lhe sentir o protesto pelo modo como a sua casa e o seu país estão ocupados. No entanto, a delicadeza deste oficial alemão é de tal que o mesmo aceita a posição dos seus anfitriões, visitando-os noite após noite, lançando palavras que sabe não terão resposta.

Este livro apesar de pequeno é bastante profundo e vai-nos  envolvendo, cada vez mais, no drama que se  desenrola naquela casa, pois à medida que os dois franceses (tio e sobrinha) vão conhecendo  melhor o oficial, vamos  também conseguindo compreender, cada vez melhor, o título do livro, visto que o seu silêncio é apenas aparente, tal como o do mar, pois dentro dele convivem muitos sons, cores e emoções. 

Toda a acção se desenrola num pequeno espaço e estuda o comportamento humano - e funcionaria lindamente num palco. As duas personagens francesas existem na pequena sala central à história como se peças de mobiliário fossem, imóveis e indiferentes à presença do oficial , que longe de os acossar - mesmo estando no papel de conquistador - os tenta de todos os meios arrebatar...