sexta-feira, 28 de setembro de 2012

1534 - Para ler devagarinho e saborear






Para ler devagarinho numa esplanada e sentir chegar o outono!


A Espantosa Realidade das Cousas


A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

1533 - Cada sonho ou desejo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <>
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

1532 - Chuva! (e desenganos)

Chuva 1 - Num dos meus filmes de culto, há uma frase dita de modo sublime que reza assim: "quando Deus nos quer castigar, concede-nos a realização dos nossos desejos"

Pois... tanto desejo chuva, que hoje levei uma molha (e com chapéu de chuva no carro!). Que desconsolo!

Chuva 2 - Afinal estes magos das finanças não são tão magos assim e isto ainda está pior do que nos contam

Então não é que as três coisas que exportamos mais (e que elogios ao equilíbrio da balança de transações) são:
1-  ouro (das nossas jóias da família) ; medicamentos - pois o negócio cá está fraco e não importa que alguns medicamentos até esgotem nas farmácias! ; carros que não se vendem cá e que se reexportam!

Es´ta-se mesmo a ver que os magos das finanças reorganizaram mesmo o país e que o nosso setor exportador está pujante! 

chuva 3 - Um destes dias era a diminuição brutal das dívidas das Câmaras- pois se os subsídios da função pública foram afetadas a este serviço da dívida. Julga-se que algumas Câmaras estão a gerir melhor?

sábado, 22 de setembro de 2012

Ler o livro ou ver o filme?

A propósito da publicação da imagem ao lado no meu mural do Facebook gerou-se um diálogo muito interessante sobre livros e sua adaptação ao cinema.

- Se o livro leva ao filme?
- Se o filme leva à leitura?
- Se a adaptação cinematográfica faz perder toda a imagem mental que se tem da obra lida e se é uma desilusão o filme?
- Se uma adaptação ao cinema não será sempre uma visão pessoal do cineasta e portanto apenas mais uma leitura?

Mas, por outro lado, fez-se referência a excelentes adaptação de obras: África minha, O carteiro de Pablo Neruda, O leitor...

Será que o livro é sempre mais rico?

A discussão continua em aberto

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ele há livros difceis de largar!l


Ele há livros difíceis de largar! este então!!!


1530 - A pôr a escrita em dia

1- A minha gata voltou ao "normal" - A minha "Maria José" foi uma mãe extremosa. No entanto, uma casa com 4+1 gatos era uma loucura e, felizmente, fomos arranjando gente que foi ficando com os gatinhos. Na passada semana foram entregues os últimos dois. A "Maria José" andou doida! procurou-os por toda a casa e pelo jardim. Ia lá fora e procurava-os, depois pedia para entrar e procurava-os, depois pedia...
Agora voltou ao "normal" e exige a minha companhia! ela é-lhe dada!

2 - Ufff... Há dias em que mais valia não sair de casa ou não acordar. Ontem apanhei um engarrafamento à entrada da ponte que me fez perder 40 minutos; a seguir outro devido a obras na Avenida dos EUA. Mais 20 minutos... no regresso outro acedente à saída da ponte. Já não o apanhei quando, finalmente, passei mas entretanto já se tinha avariado outro carro com o pára-arranca. Depois paguei 20 (vinte) euros para afiar uma tesoura de poda. Eu bem perguntei ao tipo, antes de começar o trabalho, quanto é que ele me ia levar... Já tinha ficado banzado, mas aceitei. Depois pede-me 20 euros pois tinha tido muito trabalho! disse-lhe que só pagava o pré-estabelecido (10 euros). A pagar verifiquei que só tinha uma nota de vinte. Argumentou comigo que não tinha troco! expliquei-lhe que era a primeira e última vez que lhe dava trabalho. Assumiu! Senti-me roubado e danado com o tipo. Não vai longe assim! a crise é para todos e não é por ter um carro à porta que tenho mais dinheiro e possibilidade de o esbanjar... Olha quem!

3 - Ter 17 anos e pouca experiência de vida - Um deste dias o meu rapaz marcou um encontro com una amigos para lhes mostrar Lisboa. O problema é que este mal conhece a forma como chegar aos sítios e falta-lhe um mínimo de sentido de orientação. Combinaram em sete rios à frente do Jardim Zoológico. A ida de carro até lá foi digna de uma antologia... Explicar-lhe onde ficam os principais locais de Lisboa e como chegar lá:
Belém - elétrico 15; onde se apanha? no terreiro do Paço! onde é que isso fica? ali, estás a ver? ahhh
Castelo de S. Jorge - lá ao fundo estás a ver? ele aponta para o palácio das necessidades... Não, olha adiante!
A casa de gelados no Chiado onde costumamos ir em família - Apanhas a linha verde e... E como mudo de linha? não passas as cancelas... ahhhh...
- Os restauradores é o quê? ... aahhhh... mas isso é perto do Rossio?    
...
Olha que a estação do metro em sete rios é...
Olha... para vires para casa, apanhas o comboio AZUL que podes apanhar em sete rios ou entrecampos... Ok, está bem
...
Bom, se precisares de alguma coisa ligas...
...
Dei-lhe o meu cartão do metro
Tudo correu bem!  lá se entendeu!

(e pensar que eu com a idade dele já tinha palmilhado 1000 vezes Lisboa e já tinha ido para Portalegre sozinho (de comboio) para jogar num campeonato de Xadrez onde estive uma semana... Nem me foram levar ao comboio!)

4 - Do resto? o melhor é ter os antidepressivos à mão. Do governo nada de bom se espera... Daqueles para os quais somos transparentes uns para outros a coisa nunca irá mudar. Se nunca mudou até aqui! É a vida! Salvam-se uns momentos fantásticos. Por duas vezes tive o privilégio de preparar as minhas tarefas junto ao rio: Baía do Seixal e junto ao Sado! Isso vale muito e ajuda a carregar baterias!



  

Leituras de férias IV - D. Amélia

Esta foi uma das minhas leituras de verão:
 
 
Isabel Stilwell apresenta-nos num romance histórico uma biografia de Amélia (aquela que viria a ser a última rainha de Portugal) filha de Luís Filipe conde de Paris e de Maria Isabel de Montpensier. 
 
Desde cedo, Amélia foi educada de forma muito diferente dos seus irmãos, uma educação exigente, digna de uma futura rainha. Não uma futura rainha deslumbrada com jóias e poder, mas preocupada com algo realmente importante – o povo! Neste aspecto da sua educação, o seu pai teve um papel muito importante, pois sempre a alertou para as necessidades do povo e para o poder que conseguem ter quando se juntam em prol de um objectivo.
 
Logo desde a sua infância, Amélia viu a sua família sofrer com o exílio, compreendeu as causas que lhe foram explicadas pelo seu pai, com o qual tinha uma relação muito próxima. 
 
Como todas as mulheres, sonhava casar por amor e assim acontece quando conhece Carlos (futuro rei de Portugal). Porém, muitas divergências haviam de surgir nesta vida a dois, pois Carlos fora educado de forma diferente, era cómodo e apreciava o poder e o luxo, chegando a deixar para segundo plano os problemas do reino.
Desde cedo que Amélia se apercebe que Carlos não tinha sensibilidade para detetar e entender os perigos à sua volta e a mudança dos tempos em que se vivia.

Amélia foi uma mãe extremosa, educou o filho mais velho, tal como o seu pai a educou - uma mente aberta que procurava avaliar os acontecimentos à sua volta, tendo sempre em atenção as necessidades do povo. O seu principal objectivo na educação de Luís Filipe, foi fazer com que o filho fosse um rei mais atento e interactivo do que Carlos! Porém, o destino não deixou que o seu primeiro filho reinasse…
Sem nunca esquecer de que se trata de um romance histórico e que a figura de D. Amélia é nos é apresentada como sendo quase imaculada e perfeita, vale a pena ler a obra de modo a se poder entender melhor uma fase problemática da pátria portuguesa

domingo, 16 de setembro de 2012

1529 - Nada me han enseñado los años

Cantado por Chavela Vargas, cantora mexicana de origem costa-riquenha e que omrreu em Agosto de 2012 aos 93 anos. Title: El último trago Composer/Artist: José Alfredo Jiménez Tómate esta botella conmigo y en el último trago nos vamos; quiero ver a qué sabe tu olvido, sin poner en mis ojos tus manos. Esta noche te vas de deveras. Qué dificil tener que dejarte, sin que sientas que ya no me quieres. Nada me han enseñado los años, siempre caigo en los mismos errores; otra vez a brindar con extraños y a llorar por los mismos dolores. Tómate ésta botella conmigo y en el último trago me besas; esperamos que no haya testigos, por si acaso te diera verguenza. Si algún día sin querer tropezamos, no te agaches ni me hables de frente, simplemente la mano nos damos y despúes que murmure la gente. Nada me han enseñado los años... Tomate esta botella conmingo Y en el último trago nos vamos.

sábado, 15 de setembro de 2012

1527 - Quem cala consente!

Para memória futura!
Para que quem exerce o poder não se esqueça de que pessoas por detrás dos números!
Lisboa, Pç Espanha 15 setembro

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ora aqui está uma leitura que adorei!

Eis uma animação maravilhosa feita por Troshinsky

1526 - Início de ano letivo

Este início de ano letivo está a ser duro: todos têm a sensibilidade à flor da pele; todos se sentem lesados; o colega é visto como um concorrente; o governo não ajuda; a crise também não; a multiplicidade de tarefas que é necessário cumprir é de loucos, os horários são intensos...

Assim é duro!
confesso-me no meio da tempestade (e já sem a certeza de um rumo...)


Riders on the storm
Riders on the storm
Into this house we're born
Into this world we're thrown
Like a dog without a bone
An actor out alone
Riders on the storm

There's a killer on the road
His brain is squirmin' like a toad
Take a long holiday
Let your children play
If ya give this man a ride
Sweet memory will die
Killer on the road, yeah
Girl ya gotta love your man
Girl ya gotta love your man
Take him by the hand
Make him understand
The world on you depends
Our life will never end
Gotta love your man, yeah

Yeah!

Riders on the storm
Riders on the storm
Into this house we're born
Into this world we're thrown
Like a dog without a bone
An actor out alone
Riders on the storm

Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

1523 - Sentimentos contraditórios

 Esta semana tem sido rica de sentimentos contraditórios com os quais acho que nunca aprenderei a lidar! Mexem demasiado comigo

Ontem: Senti-me transparente.
X chegou sorridente vinda de férias e comprimentou y efusivamente.Ao pé de y estava eu. Nem uma palavra, nem um olhar.
Posder-se.ia dizer que foi distração. Talvez! mas os talvez acontecem demasiadas vezes e em demasuiadas circunstâncias sempre com as mesmas pessoas!

Fico a ferver por dentro! Não é que me interesse a sua amizade, mas transparenrte é que não sou!  

Hoje: muito bem tratado
Até fico embaraçado! convidado para falar num encontro ao pé da Régua, sou tratado com todos os requintes e "comme if faut" usando a nossa arte de bem receber que tanto aprecio e que me prezo de o fazer para outros.

Que bem me faz e que bem me sabe! Retribuirei logo que possa! valeu a pena o sacrifício da tese!

E que lindo é viajar de comboio e ter tempo para ler e ver a paisagem!

Que bem seria a vida se existisse apenas o meio termo! teríamos tudo mais facilitado e menos depressões

domingo, 2 de setembro de 2012

Leituras de férias III

Tenho um "fraquinho" por História e não há verão em que não aproveite para ler algo relacionado com a temática.

Uma das obras que li foi esta e de acordo com a sinopse do livro "As Invasões Francesas e a Corte no Brasil é uma obra de divulgação sobre o período da História em que Portugal foi invadido pelos exércitos de Napoleão e a corte portuguesa retirou para o Brasil por ser a única maneira de assegurar a independência do país. Aliando rigor científico e clareza de exposição, os autores colocam à disposição do público uma síntese sobre os principais acontecimentos dos reinados de D. Maria I e D. João VI, que é também uma chave para entender este período da nossa História."

Confesso que gostei bastante e imagino que se fosse professor de História  haveria de usar muito estas obras da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães. Estou mesmo convencido que, quando a poeira politica e algumas invejas caseiras assentarem muito se valorizará todo o excelente trabalho de divulgação da nossa História que estas autoras fazem (lembremo-nos que a geração dos alunos pós 25 de Abril teve (tem) algumas lacunas que as contingências políticas assim obrigaram. Estes livros já são capazes de nos oferecer um olhar mais desapaixonado sobre os temas da nossa História. 

Deste livro gostei especialmente do relato da viagem e estadia do nosso D. João VI e família real no Brasil. Imagine-se o espanto no mundo Europeu ao ver um monarca a viver, pela primeira vez na história da humanidade, noutro continente. Imagine-se o que sentiram os portugueses e espanhóis que por lá viviam a mudar de estatuto e a ter um corte residente!

sábado, 1 de setembro de 2012

Ler... para ajudar a ler

Ninguém tem dúvida de que a escolha de uma boa leitura é algo que a experiência melhora. Durante, estas férias de verão dei por mim com saudades das minhas aulas de Português, de algo que nunca mais terei que eram uns saudosos 45 minutos de Estudo Acompanhado dedicados à leitura. 45 minutos que, em 2006 começaram assim e, em 2011, eram assim, numa área que o contrato de autonomia da Escola nos permitiu chamar "Projetos de Leitura". E dou por mim, que sou conhecida pelo meu olhar positivo sobre o Mundo, a sentir muito, mas mesmo muito, receio pela forma como, em Portugal, se está a hipotecar a Educação. Mas pronto, também estou certa que o trabalho que iniciámos aqui vai continuar a dar os seus frutos. Um trabalho que, de forma global, o nosso João estudou e já está publicado.

Voltando ao tema, dei por mim, este verão, enquanto procurava mais um volume do Carlos Ruiz Zafón, não a trazer para casa aquele que queria ler mas um que, de forma mais leve, serviria para mim e, talvez para os meus alunos. E assim foi. Devorei lentamente "O Príncipe da neblina" e imaginei que os meus alunos de 3º ciclo iriam gostar muito também. Imaginei-nos a lê-lo de forma partilhada em aulas com almofadas, chocolate quente e um bolo carinhosamente feito por uma das mães. E pronto.... um dia....

Fica a sugestão da primeira obra de Záfon, premiada em 1993 (curiosamente, o ano em que iniciei a minha carreira no ensino) e que sugiro aos estimados colegas professores-bibliotecários e a todos os leitores. Sinopse aqui. Boas leituras!
[e, nestes tempos do Multimedia, deixo-vos também o vídeo]