sexta-feira, 27 de abril de 2012

1492 - Apesar de tudo

Apesar do
que nos querem fazer crer
que nos querem fazer crer
que nos querem fazer crer
estamos vivos
e o espírito de abril não morreu.

Ficam desde já a saber
ficámos um pouco mais fortes

joão p
abril 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

1491 - Uma ida à Comporta e a Tróia

 Disponibilizei uma tarde para sair um pouco em família. O destino foi Comporta e Tróia, sendo que o dia nos soube bem.

Gostei da calma bucólica da Comporta e da Carrasqueira. Ao ver os arrozais e as casas da herdade e dos trabalhadores lembrei-me da leitura de "Levantado do chão" e pensei nos direitos que tanto custaram a adquirir e que se vão perdendo a pouco e pouco...

Mais tarde, esta sensação agravou-se mais e mais com a chegada a Tróia. O que era uma terra de todos está mais e mais de alguns...
Os ferry mudaram de porto de atracação e o antigo local passou a marina...

E a praia que era de todos e de tão fácil acesso passou a ser de alguns poucos pois, então não é que o Ferry para além de ser caro (e muito), fica agora a alguns kilometros de Tróia e só pagando novo bilhete de autocarro se consegue lá chegar sem carro.

Que sentido é que isto faz? quanto terá pago a SONAE para poder transformar Tróia naquilo que é hoje? muito? pouco? se muito onde foi aplicado esse dinheiro? se pouco, porque razão? 

Depois os sinais evidentes da crise: imenso apartamentos à venda... imensos mesmo! não sei onde é que este governo nos quer levar, mas nada disto me parece prometedor (21 Euros para cruzar  o rio de Ferry é muito, mesmo!) Tróia para alguns?  


quinta-feira, 19 de abril de 2012

1490 - nós nascemos para ter asas!

O Fanha foi hoje à minha escola. Encheu-nos as medidas a todos. Foi mesmo fabuloso, sendo que os meninos foram "super" e até lhe colocaram questões bem interessantes!

Vou fazendo o apanhado aqui pois o que ele e "eles" partilharam vale bem a pena!

Espero que "eles" (e eu) nunca se esqueçam disto e que têm o direito de ter opinião e participar! 


"Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como se gastam tostões.
Cortaram-nos as asas para que fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas, de novo voltam a ser.
Aceitemos esta hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair."
José Fanha, 1985. Cartas de Marear.

terça-feira, 17 de abril de 2012

1489 - ele há dias assim

Alhada
Bofetada
Carneirada
Derrocada
Embrulhada
Fachada
Golpada

Intrigalhada
Jogada
Limonada
Mentirada
Navalhada

Palhaçada
Quebrada
Rabecada
Salsada
Tourada

Vassourada
Xaropada

(vá lá, vá lá... podia ser pior! ainda há letras livres!)

domingo, 15 de abril de 2012

1488 - ecos na catedral




Ecos na Catedral

Os teus olhos são vitrais
Que mudam de cor com o céu
E quando sorriem, iguais...
E quando sorriem, iguais...
Quem muda de cor sou eu

Tomara teus olhos vissem
O amor que trago por ti
Nem o entardecer me acalma...
Nem o entardecer me acalma...
Na ânsia de te ter aqui

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Afogam-se na solidão

Fui para um templo de pedra
Escolhi um recanto isolado
Que me faça esquecer tua voz...
Esquecer-me da tua voz...
Que me faça acordar do passado

Escondida em sítio sagrado
E não me apetece o perdão
Devo estar enfeitiçada
Náufrago do coração

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Afogam-se na solidão

Não sei se perdoo o meu fado
Não sei se consigo enfim
Um dia esquecer que teus olhos
Sorriem, mas não para mim

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ondjaki - A simplicidade acima de tudo























Ser

seja ruído
seja beijo
seja voo
seja andorinha
seja lago
seja pacatez da árvore
seja aterragem de borboleta
seja mármore de elefante
seja alma de gaivota
seja luz num olhar
seja um cardume de tardes
e grite: JÁ SOU.

Ondjaki. 101 poetas: Iniciação à poesia em língua portuguesa.

1487 - Murmuram os ventos nas folhas breves do meu diário

Murmuram os ventos nas folhas breves do meu diário
A resistente árvore da baía do seixal já tem folhas de novo
apesar da ventania...
segredam os dias das utopias sonhadas...




Murmuram os ventos
nas folhas
breves do meu diário
vagueiam proscritos
os mitos
do imaginário
segredam os dias
das utopias
sonhadas
na noite em que foste
a minha namorada
e demos forma ao mundo
na arte dos magos
num toque de artistas
já transformámos
a vida em ouro
como alquimistas
pelos sete mares enluaradados
rios e areais
vou coroar-te no trono
doido dos vendavais
ao chegar de mansinho
como um bandoleiro
conquistar o teu corpo
como guerrilheiro
apaixonadamente teu
render-me, enfim
nos teus matagais
amar-te toda
como as pedras
e os animais

mas depois do teu adeus
do teu último beijo
leva contigo a lembrança
a paixão, o desejo
ai de mim, o rancor
que ainda guardo e não quero
se um dia voltares
(francamente eu sei)
eu já não te espero
será que ando forte
e que te esqueci
será que ando fraco
e que me perdi
mas em poucas palavras
ficam belas e doces
saudades de ti

Fausto Bordalo Dias

quarta-feira, 11 de abril de 2012

1486 - A pôr a escrita em dia

Quase não tenho tido tempo para nada... O Curso na Irlanda, a família que pediu uma pausa de trabalho e ocupações na Páscoa, o trabalho que se amontoou...

A crise que aperta o cerco mais e mais... onde iremos parar? onde nos querem meter? a sensação de que o pior ainda não chegou pois querem que sejamos nós a pagar os desvarios...

Lembrei-me que ainda não tinha passado a escrito a bela música que o Francisco Naia nos cantou durante uma inauguração de uma Biblioteca. Sim, os soldadinhos foram meninos e foram à escola!

"Eles", têm que ter memória...

(e eu que guardei uma memória tão bonita daquele 1º dia de primavera)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

1485 - Memórias de uma semana muito intensa II

 1 - O sol!!! esteve um tempo maravilhoso! adorei ver os nórdicos, a cada momento, a aproveitar todo os momentos para se porem ao sol!!

2 - Os jardins! belos, cuidados, esplêndidos...

3 - A "Molly Malone". Estes Irlandeses gostam mesmo de música e esse gosto caracteriza-os. É engraçado como houve alguma intercâmbio da sua cultura com os pai´ses nórdicos, pois as músicas da Irlanda são deles bem conhecidas.

4 - A tese, sempre a tese e o diabrete das palavras que se diverte a desorganizá-las após cada nova correção!!! já devo ir na 4ª ou 5ª revisão de alguns capítulos e encontro sempre novos gatos!!!! Irra! (mas está quase!). Dei por bem aproveitadas as longas horas de viagem e de ligação nos aeroportos (e sempre é uma forma de não ser tentado a gastar dinheiro)


1484 - Memórias de uma semana muito intensa

 Vivi uma semana muito intensa na Irlanda e gostaria de ter fixado mais coisas por escrito ao longo dela. Infelizmente a Net no quarto era lenta e isso levava-me ao desespero pelo tempo de descanso que acabava por perder.

1 - Foram momentos de aprendizagem e de grande partilha: Em toda a Europa as escolas enfrentam desafios similares: Os resultados académicos como valores absolutos ou aprender em contexto e ao longo da vida? A leitura e como a promover? os cortes na educação e tantas outras questões.... não somos piores que os europeus nem vivemos de privilégios. somos tão bons quanto eles e procuramos também as melhores respostas. Deixar aos políticos e aos tecnocratas as decisões no campo da educação só pode dar asneira.

2 - A cidadania europeia - Acho que se a Europa quiser continuar a viver em paz por muitos e bons anos, só tem que continuar a investir em cursos/encontros europeus deste tipo. Face a face, comendo em conjunto, partilhando os sucessos e insucessos, os povos compreendem que têm muito em comum.

3 - A beleza da Irlanda. Parece-se mesmo com os Açores. Tão natural ainda e tão selvagem. No entanto, deu para perceber o que foi a bolha imobiliária por essa Europa fora. É mesmo estranho ver regiões da Irlanda que há pouco tempo eram calmas e rurais, serem invadidas em poucos anos por moradias todas muito iguais fruto do dinheiro fácil que os bancos emprestaram. E agora?

4 - Os jardins de Dublin - Que beleza! foi  o que mais gostei de Dublin. Três ou quatro jardins profundamente belos e muito cuidados. Que inveja, que inveja!!! mas é que estavam mesmo bem cuidados e enquadrados. O que Lisboa poderia ser se quisesse (e se os seus cidadãos também quisessem).

5 - O rio - traz-nos à memória o Sena ou o rio Danúbio (?) que passa em Praga, ou o Guadalquivir de Sevilha ... Belo... (mas não há como as cores de Lisboa...)

6 - A estadia em Dublin - fiquei numa casa B & B que se situava num área residencial absolutamente bela (ver foto acima). Foi barato e o quarto tinha tudo o que era necessário (até internet!) Fartei-me foi de andar (fiz as contas pelo google maps e foram mais de 20 km numa tarde e numa manhã!) é o que dá querer ver tudo e não ter dinheiro!!!!
Lembrei-me do poema Itaca  que já aqui publiquei. De facto, vivi-o um pouco, embora confesse que, por vezes e por estar sozinho, cheguei a desejar chegar depressa ao meu destino: medo de enfrentar os perigos da viajem sozinho, saudades de casa, saudades...

7 - A chegada a casa- Como o jardim se modificou numa semana!!! a cerejeira está linda e as flores da laranjeira cheiram tão bem...