segunda-feira, 31 de agosto de 2009

884 - Maior que 4,5? hum... é difícil!



Não é que seja muito habitual o espaço para o humor aqui nesta casa mas, no meio de tantos acontecimentos mais ou menos nefastos, temos que levar a vida a brincar, até porque há que conseguir levar a boa disposição das férias até ao limite...

A Anabela devia estar mesmo "nervosa"por ter conseguido participar num programa da rádio - há dias assim... ;-))

domingo, 30 de agosto de 2009

883 - Memória de férias I







Decididamente, assistir ao espectáculo dos Deolinda, foi um dos momentos altos das férias.

Que vento novo na nossa música sopra!

Novas ideias;

Boa música feita com fracos recursos;

5 Estrelas!



Mais uma quente noite de Verão para guardar na memória



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Ainda bem

que o tempo passou

e o amor que acabou

não saiu...



Ainda bem

que há um fado qualquer

que diz tudo o que a vida

não diz...



Ainda bem

que Lisboa não é

a cidade perfeita

para nós...



Ainda bem

que há um beco qualquer

que dá eco

a quem nunca tem voz...



Ainda agora vi a louca

sozinha a cantar

do alto daquela janela...

Há noites em que a saudade

me deixa a pensar

um dia juntar-me a ela,

um dia cantar como ela...



Ainda bem

que eu nunca fui capaz

de encontrar a viela

a seguir...



Ainda bem

que o Tejo é lilás

e os peixes não param

de rir...



Ainda bem

que o teu corpo não quer

embarcar na tormenta

do meu...



Ainda bem...



Se o destino quiser,

esta trágica história

sou eu.



Ainda agora vi a louca(...)



Deolinda



sábado, 29 de agosto de 2009

882 - O que é que se pode fazer em 9,58 segundos?


O que é que se pode fazer em 9,58 segundos? (novo record mundial dos 100 metros) - Texto retirado do "inimigo público de 21 de Agosto

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É o tempo que leva um adolescente a escrever e enviar um sms de 160 caracteres (não confundir com o tempo que leva um deputado a escrever e publicar uma mensagem de 160 caracteres no Twitter. Aí seriam 9 horas e 58 minutos);
Tempo necessário para ler o Destak, o Metro e o "Sei lá" da Margarida Rebelo PInto;
É o tempo que Vitor Constâncio necessita para fazer uma supervisão do BPP, incluindo uma auditoria exaustiva às contas offshores;
Foi o tempo máximo que o Manuel Pinho conseguiu estar sem dizer um disparate;
Período de tempo máximo que Cristiano Ronaldo conseguiu estar sem ter sexo;
Foi o tempo que José Sócrates necessitou para conluir a cadeira de Inglês Técnico na Universidade Independente;
Tempo que demorou até os adeptos sportinguistas perceberem que o título vai ficar, uma vez mais, adiado;
Foi o tempo durante o qual Vale de Azevedo esteve em liberdade antes de voltar novamente para os calabouços da Judiciária;
Tempo que os portugueses necessitaram para perceber que o governo de Santana Lopes ia dar barraca;
Recorde de tempo em que Elsa Raposo esteve apaixonada por alguém;
Tempo que dura o entusiasmo dos benfiquistas sempre que Nuno Gomes entra em campo;
É o tempo que dura a primeira relação de um adolescente com ejaculação precoce

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

881 - Leituras de férias II

Ainda sem tempo para grandes comentários... ficará para um próximo post
(é o que se chama pôr a casa em ordem)

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Nós Chorámos Pelo Cão Tinhoso

Para a Isaura. Para o Luís B. Honwana



Foi no tempo da oitava classe, na aula de português.

Eu já tinha lido esse texto dois anos antes mas daquela vez a estória me parecia mais bem contada com detalhes que atrapalhavam uma pessoa só de ler ainda em leitura silenciosa - como a camarada professora de português tinha mandado. Era um texto muito conhecido em Luanda: "Nós matámos o Cão Tinhoso".

Eu lembrava-me de tudo: do Ginho, da pressão de ar, da Isaura e das feridas penduradas do Cão Tinhoso. Nunca me esqueci disso: um cão com feridas penduradas. Os olhos do cão. Os olhos da Isaura. E agora de repente me aparecia tudo ali de novo. Fiquei atrapalhado.

A camarada professora seleccionou uns tantos para a leitura integral do texto. Assim queria dizer que íamos ler o texto todo de rajada. Para não demorar muito, ela escolheu os que liam melhor. Nós, os da minha turma da oitava, éramos cinquenta e dois. Eu era o número cinquenta e um. Embora noutras turmas tentassem arranjar alcunhas para os colegas, aquela era a minha primeira turma onde ninguém tinha escapado de ser alcunhado. E alguns eram nomes de estiga violenta.

Muitos eram nomes de animais: havia o Serpente, o Cabrito, o Pacaça, a Barata-da-Sibéria, a Joana Voa-Voa, a Gazela, e o Jacó, que era eu. Deve ser porque eu mesmo falava muito nessa altura. Havia o É-tê, o Agostinho-Neto, a Scubidú e mesmo alguns professores também não escapavam da nossa lista. Por acaso a camarada professora de português era bem porreira e nunca chegámos a lhe alcunhar.

Os outros começaram a ler a parte deles. No início, o texto ainda está naquela parte que na prova perguntam qual é e uma pessoa diz que é só introdução. Os nomes dos personagens, a situação assim no geral, e a maka do cão. Mas depois o texto ficava duro: tinham dado ordem num grupo de miúdos para bondar o Cão Tinhoso. Os miúdos tinham ficado contentes com essa ordem assim muito adulta, só uma menina chamada Isaura afinal queria dar protecção ao cão. O cão se chamava Cão Tinhoso e tinha feridas penduradas, eu sei que já falei isto, mas eu gosto muito do Cão Tinhoso.

Na sexta classe eu também tinha gostado bué dele e eu sabia que aquele texto era duro de ler. Mas nunca pensei que umas lágrimas pudessem ficar tão pesadas dentro duma pessoa. Se calhar é porque uma pessoa na oitava classe já cresceu um bocadinho mais, a voz já está mais grossa, já ficamos toda hora a olhar as cuecas das meninas "entaladas na gaveta", queremos beijos na boca mais demorados e na dança de slow ficamos todos agarrados até os pais e os primos das moças virem perguntar se estamos com frio mesmo assim em Luanda a fazer tanto calor. Se calhar é isso, eu estava mais crescido na maneira de ler o texto, porque comecei a pensar que aquele grupo que lhes mandaram matar o Cão Tinhoso com tiros de pressão de ar, era como o grupo que tinha sido escolhido para ler o texto.

Não quero dar essa responsabilidade na camarada professora de português, mas foi isso que eu pensei na minha cabeça cheia de pensamentos tristes: se essa professora nos manda ler este texto outra vez, a Isaura vai chorar bué, o Cão Tinhoso vai sofrer mais outra vez e vão rebolar no chão a rir do Ginho que tem medo de disparar por causa dos olhos do Cão Tinhoso.

O meu pensamento afinal não estava muito longe do que foi acontecendo na minha sala de aulas, no tempo da oitava classe, turma dois, na escola Mutu Ya Kevela, no ano de mil novecentos e noventa: quando a Scubidú leu a segunda parte do texto, os que tinham começado a rir só para estigar os outros, começaram a sentir o peso do texto. As palavras já não eram lidas com rapidez de dizer quem era o mais rápido da turma a despachar um parágrafo. Não. Uma pessoa afinal e de repente tinha medo do próximo parágrafo, escolhia bem a voz de falar a voz dos personagens, olhava para a porta da sala como se alguém fosse disparar uma pressão de ar a qualquer momento. Era assim na oitava classe: ninguém lia o texto do Cão Tinhoso sem ter medo de chegar ao fim. Ninguém admitia isso, eu sei, ninguém nunca disse, mas bastava estar atento à voz de quem lia e aos olhos de quem escutava.

O céu ficou carregado de nuvens escurecidas. Olhei lá para fora à espera de uma trovoada que trouxesse uma chuva de meia-hora. Mas nada.

Na terceira parte até a camarada professora começou a engolir cuspe seco na garganta bonita que ela tinha, os rapazes mexeram os pés com nervoso miudinho, algumas meninas começaram a ficar de olhos molhados. O Olavo avisou: "quem chorar é maricas então!" e os rapazes todos ficaram com essa responsabilidade de fazer uma cara como se nada daquilo estivesse a ser lido.

Um silêncio muito estranho invadiu a sala quando o Cabrito se sentou. A camarada professora não disse nada. Ficou a olhar para mim. Respirei fundo.

Levantei-me e toda a turma estava também com os olhos pendurados em mim. Uns tinham-se virado para trás para ver bem a minha cara, outros fungavam do nariz tipo constipação de cacimbo. A Aina e a Rafaela que eram muito branquinhas estavam com as bochechas todas vermelhas e os olhos também, o Olavo ameaçou-me devagar com o dedo dele a apontar para mim. Engoli também um cuspe seco porque eu já tinha aprendido há muito tempo a ler um parágrafo depressa antes de o ler em voz alta: era aquela parte do texto em que os miúdos já não têm pena do Cão Tinhoso e querem lhe matar a qualquer momento. Mas o Ginho não queria. A Isaura não queria.

A camarada professora levantou-se, veio devagar para perto de mim, ficou quietinha. Como se quisesse me dizer alguma coisa com o corpo dela ali tão perto. Aliás, ela já tinha dito, ao me escolher para ser o último a fechar o texto, e eu estava vaidoso dessa escolha, o último normalmente era o que lia já mesmo bem. Mas naquele dia, com aquele texto, ela não sabia que em vez de me estar a premiar, estava a me castigar nessa responsabilidade de falar do Cão Tinhoso sem chorar.

- Camarada professora - interrompi numa dificuldade de falar. - Não tocou para a saída?

Ela mandou-me continuar. Voltei ao texto. Um peso me atrapalhava a voz e eu nem podia só fazer uma pausa de olhar as nuvens porque tinha que estar atento ao texto e às lágrimas. Só depois o sino tocou.

Os olhos do Ginho. Os olhos da Isaura. A mira da pressão de ar nos olhos do Cão Tinhoso com as feridas dele penduradas. Os olhos do Olavo. Os olhos da camarada professora nos meus olhos. Os meus olhos nos olhos da Isaura nos olhos do Cão Tinhoso.

Houve um silêncio como se tivessem disparado bué de tiros dentro da sala de aulas. Fechei o livro.

Olhei as nuvens.

Na oitava classe, era proibido chorar à frente dos outros rapazes.


(do livro Os da minha Rua, Editorial Caminho, 2007) Ondjaki

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

880 - Leituras de férias I
















Dedicado ao meu avô João

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O Kazukuta
Ondjaki


Nós estávamos sempre atentos à queda das nêsperas, das pitangas e das goiabas, e era mesmo por gritarmos ou por corrermos que o Kazukuta acordava assim no modo lento de vir nos espreitar, saía da casota dele a ver se alguma fruta ia sobrar para a fome dele.
Normalmente ele comia as nêsperas meio cansadas ou de pele já escura que ninguém apanhava. Mexia-se sempre devagarinho, e bocejava, e era capaz de ir procurar um bocadinho de sol pra lhe acudir as feridas, ou então mesmo buscar regresso na casota dele. Às vezes, mesmo no meio das brincadeiras, meio distraído, e antes de me gritarem com força para eu não estar assim tipo estátua, eu pensava que, se calhar, o Kazukuta naquele olhar dele de ramelas e moscas, às vezes, ele podia estar a pensar. Mesmo se a vida dele era só estar ali na casota meio triste, sair e entrar, tomar banho de mangueira com água fraca, apanhar nêsperas podres e voltar a entrar na casota dele, talvez ele estivesse a pensar nas tristezas da vida dele.
Acho que o Kazukuta era um cão triste porque é assim que me lembro dele. Nós mesmo não lhe ligávamos nenhuma. Ninguém brincava com ele, nem já os mais velhos lhe faziam só uma festinha de vez em quando. Mesmo nós só queríamos que ele saísse do caminho e não nos viesse lamber com a baba dele bem grossa de pingar devagarinho e as feridas quase a nunca sararem. Acho que o Kazukuta nunca apanhou nenhuma vacina, se calhar ele tinha alergia ou medo, não sei, devia perguntar no tio Joaquim. Também o Kazukuta não passeava na rua e cada vez andava só a dormir mais. Sim, o Kazukuta era um cão triste.
Um dia era de tarde, e vi o tio Joaquim dar banho ao Kazukuta. Um banho longo. Fiquei espantado: o tio Joaquim que ficava até tarde a ler na sala, o tio Joaquim que nos puxava as orelhas, o tio Joaquim silencioso, como é que ele podia ficar meia hora a dar banho ao Kazukuta?
Lembro o Kazukuta a adorar aquele banho, deve ser porque era um banho sincero, deve ser porque o tio punha devagarinho frases em kimbundu ao Kazukuta, e ele depois ia adormecer. Kazukuta..., lembro bem os teus olhos doces brilharem tipo um mar de sonho só porque o tio Joaquim - o tio Joaquim silencioso - veio te dar banho de mangueira e te falou palavras tranquilas num kimbundu assim com cheiros da infância dele.
E demorou.
Nós já estávamos quase a parar a nossa brincadeira. Porque afinal a água caía nos pêlos do Kazukuta, e os pêlos ficavam assim coladinhos ao corpo, e virados para baixo como se já fossem muito pesados, e a água foi, não tinha mais, e mesmo sem fechar a torneira o tio Joaquim, com a mangueira ainda a pingar as últimas gotas dela, e no regresso do Kazukuta à casota, depois daquele abano tipo chuvisco de nós rirmos, o Tio Joaquim deu a notícia que tinha demorado aquele tempo todo para dar:
- Meninos, a tia Maria morreu.
Até tive medo, não daquela notícia assim muito séria, mas do que alguém perguntou:
- Mas podemos continuar a brincar só mais um bocadinho?
O tio largou a mangueira, veio nos fazer festinhas.
- Sim, podem.
Parece mesmo vi um sorriso pequenino na boca dele. O tio Joaquim era muito calado e sorria devagarinho como se nunca soubesse nada das horas e das pressas dos outros adultos. Às vezes ele aparecia no quintal sem fazer ruído e espreitava a nossa brincadeira sem corrigir nada. Olhava de longe como se fosse uma criança quieta com inveja de vir brincar connosco também.
O tio Joaquim gostava muito de dar banho ao Kazukuta. Um dia kazukuta estava muito velho e morreu mesmo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

879 - Le temps...

La Maison en Petites Cubes from dorsumi on Vimeo.



Descobri-o na casa da Margarida.

É, de facto, uma fabulosa e encantadora metáfora sobre o tempo

878 - 6 de Agosto de 1945, 8h15 da manhã



6 de Agosto de 1945
8 e um quarto da manhã.
Já premiste o botão
que fez descer 100 milhões de graus centígrados - morte
e erguer da terra um belo clarão
enorme e deslumbrante.
Missão cumprida.
Espera-te um país reconhecido
e mais tarde
os pés no vazio
quando souberes que
em poucos segundos, sob as tuas asas,
desde as ruas e jardins do centro
até aos campos em redor,
homens, mulheres, crianças e animais
foram varridos por um vento
que pulverizou tudo o que encontrou no seu caminho;
que alguns sobreviveram gritando queimados de morte
entre cinzas e cascalho,
que os arrozais perderam a verdura
e a relva ardeu como palha seca.
Número total de mortos: cerca de 70 000.
Um belo clarão...
enorme, sábio, deslumbrante.
A teu lado alguém pergunta:
Meu Deus, que fizemos?...

José Luís Tinoco

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

877 - Not to touch the Earth II



Once I had a little game
I liked to crawl back in my brain
I think you know the game I mean
I mean the game called go insane
Now you should try this little game
Just close your eyes forget your name
Forget the world, forget the people
And well erect a different steeple.

This little game is fun to do.
Just close your eyes, no way to lose.
And Im right here, Im going too.
Release control, were breaking through.

The doors

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

876 - Not to touch the Earth



Not to touch the Earth
Not to see the Sun
Nothing left to do, but run, run, run
Let's run, let's run

House upon the hill
Moon is lying still
Shadows of the trees
Witnessing the wild breeze
Come on, baby, run with me
Let's run

Run with me
Run with me
Run with me
Let's run!

The mansion is warm at the top of the hill
Rich are the rooms and the comforts there
Red are the arms of luxuriant chairs
And you won't know a thing till you get inside

Dead president's corpse in the driver's car
The engine runs on glue and tar
Come on along, not goin' very far
To the East to meet the Czar

Run with me
Run with me
Run with me
Let's run!

Whoah!

Some outlaws live by the side of a lake
The minister's daughter's in love with the snake
Who lives in a well by the side of the road
Wake up, girl, we're almost home

Yeah, c'mon!

We should see the gates by mornin'
We should be inside by evenin'

Sun, sun, sun
Burn, burn, burn
Soon, soon, soon
Moon, moon, moon
I will get you
Soon!
Soon!
Soon!

I am the Lizard King
I can do anything

http://www.youtube.com/watch?v=RaYxh7tCPCE

domingo, 2 de agosto de 2009

875 - Emigrante de mim



(Obs: Adaptação muito pessoal do texto de José Mário Branco - Emigrantes de quarta dimensão - truncado. Música de fundo também de José Mário Branco)


Emigrantes de quarta dimensão

Dá-me uma ajuda, ó médico das almas
para escolher em que combate combater
Quem condeno eu à vida
Quem condeno eu à morte
Que me podes tu dizer

Encostado à árvore do tempo
Folhas mortas, folhas vivas, estações
Nada disto faz sentido
E o sentido do sentido
Não paga as refeições

Este torpor só tem uma solução
Sejamos deuses, é meter as mãos à obra
E no fazendo acontecendo
Deixar ir o coração
Que é o que nos sobra

[...]

Fecha a porta que vem frio lá de fora
Diz o coxo aos despernado, e eu aqui
Fui à procura de mim
Encontrei-me mesmo agora
E ainda não fugi

O tempo corre por entre pívias e manhas
E tudo fica cada vez mais como está
Mas ao correr desta pena
Não fico à espera que venhas
Eu já sou o que virá

José Mário Branco

sábado, 1 de agosto de 2009

874 - Fui ali e já vim



O mistério da vida e a vida com mistério.
a mãe que ensina os meninos e os meninos que são ensinados pela mãe

Durasse eternamente este momento!



Porque corres tu se só tens esse caminho?
Chegar tarde ou chegar cedo importa?
Contentas-te com o caminho existente?
Será possível trilhar outro?
Porque corres?



Ah esta é óbvia: Lisboa!
Porque procuro o igual no diferente?
Não é!
E agora? fico sem rede?

























Estas são as linhas
As linhas do coração
As linhas com que te coses

Quem escolhe as cores?
Quem escolhe os motivos?
A razão ou o coração?

Onde se vende a "burda" do coração?
João P.
Ago 09