terça-feira, 30 de janeiro de 2007

145 - só por...

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Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Jorge Palma

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

144 - Estados de Alma

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Exílio

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

domingo, 28 de janeiro de 2007

143 - Para ser grande, sê inteiro















Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

141 - Que eu saiba transformar os meus dias...
















Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí
resucitando.
Gracias doy a la desgracia
y a la mano con puñal,
porque me mató tan mal,
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui,
solo y llorando.
Hice un nudo del pañuelo,
pero me olvidé después
que no era la única vez
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás
cuántas noches pasarás
desesperando.
Y a la hora del naufragio
y a la de la oscuridad
alguien te rescatará,
para ir cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.


Canta: Mercedes Sosa
Imagem retirada daqui

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

140 - E quando nada nos apetece?



















E quando não nos apetece nada e estamos de mal com o mundo, com o país, com os outros, connosco mesmo, sem que haja um motivo específico ou saibamos porquê...

E quando não há mesmo paciência para aturar isto, porque não.

E quando estamos cheios de ouvir auto-justificações e auto-elogios e tanta desfacatez...

E quando já transbordou a nossa taça e estamos cheios.

E quando

....

E se descobrissemos, sem que por isso nos estejamos a pôr no pedestal, que a Sophia estava cheia de razão ao escrever o poema

E se descobríssemos que o problema pode estar no facto de muitos calcularem e tu não o saberes fazer e, com isso, poderes dar como os "costados no chão"

....

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen


....
imagem retirada daqui

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

139 - Homenagem ao fado



















Loucura
Sou do fado Como sei
Vivo um poema cantado
De um fado que eu inventei

A falar
Não posso dar-me
Mas ponho a alma a cantar
E as almas sabem escutar-me

Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou

E se vocês
não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

Esta voz
tão dolorida
É culpa de todos vós
Poetas da minha vida

É loucura,
ouço dizer
Mas bendita esta loucura
de cantar e de sofrer

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

138 - caminante no hay camiño
















Todo pasa y todo queda,
Pero lo nuestro es pasar,
Pasar haciendo caminos,
Caminos sobre el mar.

Nunca perseguí la gloria,
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción;
Yo amo los mundos sutiles,
Ingrávidos y gentiles,
Como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
De sol y grana, volar
Bajo el cielo azul, temblar
Súbitamente y quebrarse.

Nunca perseguí la gloria

Caminante, son tus huellas
El camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
Se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
Sino estelas en la mar

Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten
De espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino,
Se hace camino al andar...

Golpe a golpe, verso a verso...

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
Se hace camino al andar..."


Golpe a golpe, verso a verso...

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
Cuando de nada nos sirve rezar.
"Caminante no hay camino,
Se hace camino al andar..."


Juan Manuel Serrat

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

136 - so long ago
















Once, we did run
How we chased a million stars
And touched as only one can

Once, we did play
How the past delivered you
Amidst our youth wed dream away, away

As if I knew the words I’m sure you’ll hear
Of how we met as you recall so clear

Once, we did love
Long ago how did I forget
Holding you so closely

Look, how I move
Chance would have me glance at you
To know how you move me, me

All barriers fall around us as we hear
Of memories known and matters so long ago, so clear

Once, we did run
How we chased a million stars
And touched as only one can

Vangelis
So long ago, so clear

domingo, 7 de janeiro de 2007

135 - Quase um poema



















Quase um poema de amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
Miguel Torga

sábado, 6 de janeiro de 2007

134 - tudo o que eu te dou


















Eu não sei, que mais posso ser
um dia rei, outro dia sem comer
por vezes forte, coragem de leão
às vezes fraco assim é o coração

eu não sei, que mais te posso dar
um dia jóias noutro dia o luar
gritos de dor, gritos de prazer
que um homem também chora
quando assim tem de ser

Foram tantas as noites
sem dormir
tantos quartos de hotel
amar e partir

promessas perdidas
escritas no ar
e logo ali eu sei...

Tudo o que eu te dou
tu me dás a mim
tudo o que eu sonhei
tu serás assim

tudo o que eu te dou
tu me dás a mim
tudo o que eu te dou

Sentado na poltrona, beijas-me a pele morena
fazes aqueles truques que aprendeste no cinema
mais, peço-te eu, já me sinto a viajar
pára, recomeça, faz-me acreditar

Não dizes tu, e o teu olhar mentiu
enrolados pelo chão no abraço que se viu
é madrugada ou é alucinação
estrelas de mil cores extasy ou paixão

hum, esse odor, traz tanta saudade
mata-me de amor ou dá-me liberdade
deixa-me voar, cantar, adormecer