domingo, 29 de outubro de 2006

103 - 150 anos dos Caminhos de ferro em Portugal
















Eu comemorei!


Trem de ferro
Manuel Bandeira


Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Café com pão

Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô..
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pato
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
Que vontade
De cantar!

Oô...
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficia
Ôo...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Ôo...
Vou mimbora voou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Ôo...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

102 - O meu país

As Amoras


Eugénio de Andrade, poeta meu ("O Outro Nome da Terra")


















O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

101 - Dia Internacional das Bibliotecas Escolares

Pois é. Hoje comemora-se o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares. Eis como eu vejo uma. Não é muito original eu sei, mas como diz a canção: "eu já tentei pintar o céu de azul, mas foi então que descobri que azul já ele era..."















Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

domingo, 22 de outubro de 2006

100 -Nuns dias do Outono de 2006 - II

...de um rio que tudo arrasta, se diz que é violento,

mas não se dizem violentas, as margens que o oprimem! (Bertold Brecht) ...


segunda-feira, 16 de outubro de 2006

98 - A propósito do concurso sobre o "melhor" português















Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Eu sou português aqui
Obras de José Fanha

Eu voto no povo anónimo que luta diáriamente pelo pão

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

97 - Uma tarde no "Anexo"






















"The Annex is an ideal place to hide in. It may be damp and lopsided, but there's probably not a more comfortable hiding place in all of Amsterdam. No, in all of Holland."
Anne Frank writing in her diary on July 11, 1942.






















Uma viagem virtual ao anexo em http://www.annefrank.org/splashpage.asp

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

96 - Leituras de Setembro

Aproveitando o tempo dos transportes, fiz as seguintes leituras em Setembro:

  • José Cardoso Pires - De profundis, Valsa Lenta. D.Quixote
Livro lido num só jorro, num só dia. Que descrição fabulosa do que é vivenciar um AVC. Impressionante mesmo. Certos estados de alma são parecidos mas, ...
  • Sándor Márai - As velas ardem até ao fim. D. Quixote

De um escritor Hungaro relata a história de uma amizade de criança e de um triângulo amoroso que esperou 41 anos para ter umfim... Vale pelas descrições e pela vivência interior de um homem destruído.

  • James Eduward Alexander - Um esboço de Portugal durante a guerra civil de 1834. Livros horizonte

Uma descrição, nem sempre imparcial, mas interessante e pitoresca de um Inglês que por aqui passou durante essa altura. As descrições de Lisboa são deveras elucidativas de uma época.

Não me interessaram o suficiente e não acabei:

  • Joanne Harris - Danças & Contradanças. Asa

Livro de Verão, com uma sequência de contos, "light", para descontrair e não ter muito que pensar...

  • Filomena Marona Beja - A Duração dos crepúsculos. Dom Quixote

Demasiado confuso, com muito rápida mudança de planos, tornando-se difícil entender a trama, quem narra e o local da acção (Açores, Paris, Lisboa...)

domingo, 8 de outubro de 2006

95 - Homenagem de um convertido




















A um génio
(que espero vir a conhecer cada vez melhor!)

Vincent

Starry
starry night
paint your palette blue and grey

look out on a summer's day
with eyes that know the
darkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils

catch the breeze and the winter chills

in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how

perhaps they'll listen now.

Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze

swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain

weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.

For they could not love you
but still your love was true

and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.

Starry
starry night
portraits hung in empty halls

frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met

the ragged men in ragged clothes

the silver thorn of bloddy rose
lie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me

how you suffered for your sanity

how you tried to set them free.

They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

94 - 6 de Outubro- 6ª feira

Retrato de um dia na “estrada” – 6 de Outubro de 2006

“Não sei de imagem que o tempo não destrua
Não sei de ti se atravessas a rua
Vem ter comigo sempre que for preciso
Fala com a voz, fala com choro, fala com riso, diz o que é preciso
Viva quem vive com a cabeça aperrada
Dispara a bala contra o medo apontada
Viva quem luta com a cabeça ao contrário
P'ra ver também um pouco do lado do adversário, do lado contrário”

Pois é! Então não é que o comboio da manhã (Fertagus) estava meio cheio e até havia lugares sentados. Após anos e anos a ouvir dizer que os professores faltam muito e que é “um crime” fazer pontes e que são uma vergonha as faltas dos professores, chego à conclusão que metade do país hoje fez ponte e não caiu “O Carmo e a Trindade” Então os restantes trabalhadores não devem contribuir também para a produtividade e para os 4,3 %. A culpa da maldita crise é só dos professores? Que diabo, Estou perplexo!
E há ainda outra questão engraçada, se hoje não tiver havido uma montanha de faltas, por parte dos alunos, verificar-se-á que os papás mandaram os filhotes à escola e foram curtir a ponte. O que se diria se os professores tivessem feito a ponte! Estariam os desgraçados destes filhotes ao abandono na escola, enquanto os papás foram ao cinema e meteram um dia de férias! Que escândalo!

Pois é! Pois é! O que não vale uma campanha bem montada
É como diz a canção, “o rei vai nú” e não haverá por ai ninguém que o diga

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

93 - eu também não! (apesar de tudo)
















Non! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien...
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !

Balayés les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro ...

Non ! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien ...
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien ...
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !

Edith Piaf