quinta-feira, 29 de junho de 2006

39 - Auto-retrato II



(imagem retirada daqui)

O Lázaro

O Lázaro sou eu, não foi o Outro,
O das migalhas e das chagas podres.
O Lázaro sou eu, aqui sentado
À mesa do Vice-Rei
A mastigar com nojo estes faizões!...
Sou eu, vestido de holanda,
A pregar a nudez que sempre usei
Nas grandes ocasiões!...

Sou eu, nado e criado para amar,
e que não sei amar!
Sou eu, que disse não e me perdi!
Que vi Deus e nunca acreditei!
Que vi a estrada impedida
E passei!...

Sou eu, que não sou feliz no Céu nem no Inferno,
porque no Céu há paz, e no Inferno há guerra,
e a minha Paz é outra, e a minha Guerra é outra...
Sou eu, tão Grande e Pequeno
que nem sirvo para grão
da parábola da mostarda!
Sou eu, que há vinte e sete anos
Vivo sem Anjo da Guarda!

Sou eu, que ou tudo ou nada, ou Vida ou Morte,
E acerto sempre na Morte!
Que espeto sempre o punhal
Onde não quero ferir!...
Que sou assim, às cegas e às golfadas,
como as dores abençoadas
de parir!

Sou eu, que me disse adeus
E fiquei à minha espera!...
E que naquela manhã de ano bissexto
- que podia ter sol e teve chuva –
recebi nestes meus braços
o esqueleto verdadeiro
da saudade amargurada
de quem não tem ausentes nem distâncias!

Sou eu, o louco sem asas
Que se lança aos abismos a cantar
A Canção do Inocente...
E que do fundo desse sonho novo
Atira a praga
Que o traga
àquela redentora incompreensão
do seu povo!...

Sou eu, o Alfa e o Omega
e os sentidos singulares
que o Anjo-Satanaz me prometeu!...
Sou este Nobre-Vilão descalço e de gravata,
sou este jornal sem data
que traz a infausta notícia
que ninguém leu!...

Sou eu – e mostro-me todo!
Quem puder, arranque os olhos
e venha cheio de Fé
ver o Lázaro real
que não vem nos Evangelhos,
mas é!...

Miguel Torga
in “O outro Livro de Job”

quarta-feira, 28 de junho de 2006

38 - Poema do alegre desespero II















Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu?
Em que casas da Lima Dourada
moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China
para onde foram os seus pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os ergueu?
Sobre quem
Triunfaram os Césares?
A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios para os seus habitantes?
Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertold Brecht

terça-feira, 27 de junho de 2006

37 - Fora de contexto?

Não sei se está fora de contexto, mas que faz sentido faz!

Some kids wish their parents were animals

36 - Poema do alegre desespero





















Imagem retirada daqui


Poema do alegre desespero
António Gedeão

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,
e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

35 - Portugal vs Holanda


Para mais tarde recordar...
Foi muita emoção.

Caro Jorge Prestrelo:
Que pena não estares junto de nós.
Decerto terias dito: "Aguenta coração"

segunda-feira, 26 de junho de 2006

34 - La solitude


Tantos anos depois, de ouvir a primeira vez, aqui fica a homengem a Léo Ferré

LA SOLITUDE

Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'une autre quartier, d'une autre solitude. Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous. J'attends des mutants. Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous façonnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés. Je suis prêt à vous procurer les moules. Mais...


la solitude...

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis. Ils ont été coulés demain matin. Si vous n'avez pas, dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée, il est inutile de vous transmettre, il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour. Et...
la solitude...
Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues, soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre. Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau. Et pourtant...

la solitude...

Le désespoir est une forme supérieure de la critique. Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur", les mots que vous employez n'étant plus " les mots" mais une sorte de conduit à travers lequel les analphabètes se font bonne conscience. Mais...

la solitude...

Le Code civil nous en parlerons plus tard. Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable. Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties.Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.

33 - Viva Portugal

Fala do Homem nascido

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

In Teatro do Mundo, 1958
António Gedeão

domingo, 25 de junho de 2006

32 - Homeless

"Paul Simon Homeless lyrics"

Homeless, homeless
Moonlight sleeping on a midnight lake
Homeless, homeless
Moonlight sleeping on a midnight lake
We are homeless, we are homeless
The moonlight sleeping on a midnight lake
And we are homeless, homeless, homeless
The moonlight sleeping on a midnight lake

Strong wind destroy our home
Many dead, tonight it could be you
Strong wind, strong wind
Many dead, tonight it could be you

And we are homeless, homeless
Moonlight sleeping on a midnight lake
Homeless, homeless
Moonlight sleeping on a midnight lake
Homeless, homeless
Moonlight sleeping on a midnight lake

Somebody say ih hih ih hih ih
Somebody sing hello, hello, hello
Somebody say ih hih ih hih ih
Somebody cry why, why, why?
Somebody say ih hih ih hih ih
Somebody sing hello, hello, hello
Somebody say ih hih ih hih ih
Somebody cry why, why, why?
Somebody say ih hih ih hih ih

sábado, 24 de junho de 2006

31- Album de memórias/sonhos -1

"I had a farm in Africa at the foot of the Ngong Hills. The Equator runs across these highlands, a hundred miles to the north, and the farm lay at an altitude of over six thousand feet. In the day-time you felt that you had got high up; near to the sun, but the early mornings and evenings were limpid and restful, and the nights were cold. "
Karen Blixen

sexta-feira, 23 de junho de 2006

utopia


Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
Afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão

Capital da alegria
Braço que dormes
Nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
Que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
O nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro rumo deverei seguir
na minha rota?"

in José Afonso: textos e canções, Assírio e Alvim, 1983

29 - É possível

LETRA PARA UM HINO

É possível falar sem um nó na garganta
É possível amar sem que venham proibir
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
Se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo.
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel ALEGRE
in “ O Canto e as armas “



Hoje vivo na (da) utopia. O que é que se pode fazer?
(dêm-lhe férias que isso passa...)
Será que existe mesmo esta cidade? que outro rumo deverei seguir?

quinta-feira, 22 de junho de 2006

28 - Vivendo e aprendendo - 1

“If you don’t know what is important,
- Then everything is important.
If everything is important,
- Then you try to do everything.
If you are attempting to do everything,
- Then people expect you to do everything.
And in trying to please everyone,
- You don’t have enough time to find out what’s important.”

27 - Em jeito de homenagem ao S

Um tempo que passou
Chico Buarque

Vou
uma vez mais
correr atrás
de todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem

Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe, foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com meu quinhão

Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia

Mas eu estava vivo
vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta
cada minuto que passou sem mim

Sim
encontro enfim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
talvez postas em grande leilão

São
mais de um milhão
uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há

Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encantar
a se combinarem vidas futuras

Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou

(Ou dançam numa torre...)
(Enquanto o vinho corre, corre, corre...)

quarta-feira, 21 de junho de 2006

26 - Quando Deus fecha uma porta, abre uma janela!


A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
Vinícius de Morais

P.S. Tenho que tomar isto como lema

terça-feira, 20 de junho de 2006

25 - todo cambia / Tudo muda

(imagem retirada daqui)


TODO CAMBIA - el autor es Julio Numhauser

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambian el modo de pensar
Cambia todo en este mundo
Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño.

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante
Cambia el rumbo el caminante
Sin que esto le cause daño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia... todo cambia
Cambia... todo cambia
Cambia... todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera
Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño.

Pero no cambia mi amor
Por mas lejos que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente
Y lo que cambio ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana.

Cambia... todo cambia
Cambia... todo cambia
Cambia... todo cambia

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Em memória do dia 19 de Junho

Hoje...
Será que?
Quem sabe...
Talvez um dia...

Trovante - Saudade
by Trovante


Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ah, saudade…

Chegou hoje no correio a notícia
É preciso avisar por esses povos
Que turbulências e ventos se aproximam
Ah, cuidado…

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ah, saudade…

Foi chão que deu uvas, alguém disse
Umas porém colhe-se o trigo, faz-se o pão
E se ouvimos os contos de um tinto velho
Ah, bebemos a saudade…

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ah, saudade…

E vem o dia em que dobramos os nossos cabos
Da roca a S. Vicente em boa esperança
E de poder vaguear com as ondas
Ah, saudades do futuro…

Ainda a propósito do auto-retrato 1

Com diria o autor de "o gato malhado" a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro por ai...

Arte difícil esta.

domingo, 18 de junho de 2006

Fora de contexto, mas...


Sai fora do contexto do blog mas, felizmente, vai a seguir ao auto-retrato 1

Auto-retrato 1

O Quereres
Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro / E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo / E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta / E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta / E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco / E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco / E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez / E onde vês eu, não vislumbro razão
Onde queres o lobo, eu sou o irmão / E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer / Ah! Bruta flor, bruta flor...

Onde queres o ato, eu sou espírito / E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo / E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói / Onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução / E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te e amar o amor / Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação / Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés / E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero e não queres como sou / Não te quero e não queres como és

Ah! Bruta flor do querer / Ah! Bruta flor, bruta flor...

Onde queres comício, flipper-vídeo / E onde queres romance, rock'n'roll
Onde queres a lua, eu sou o sol / E onde queres a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz / E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro / E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim / Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal / Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal / E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total / Do querer que há e do que não há em mim



(imagem retirada daqui)

sábado, 17 de junho de 2006

Ao Vinicius de Morais

Ah, mas antes um convite a visitar http://abiblogteca.blogspot.com/2006/06/poemas.html e ler dois poemas escritos por duas alunas do Ensino Básico. Como alguns dizem que pelas Escolas não se passa nada...














(imagem retirada daqui)

Soneto da separação
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente


Isto também é poesia e muita emoção, claro!


Parabéns Antena 1

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Após uma tarde de chuva

Rayando el sol
rayando por ti
esta pena, me duele, me quema sin tu amor
no me has llamado, estoy desesperado
son muchas lunas las que te he llorado.


Rayando el sol, oeooo desesperación
es más fácil llegar al sol que a tu corazón
me muero por ti oeooo viviendo sin ti
y no aguanto, me duele tanto estar así
rayando el sol.


A tu casa yo fui
y no te encontré
en el parque, en la plaza, en el cine te busqué,
te tengo atrapada entre mi piel y mi alma
más ya no puedo tanto y quiero estar junto a ti.


Rayando el sol oeooo desesperación
es más fácil llegar al sol que a tu corazón
oh me muero por ti oeooo viviendo sin ti
y no aguanto me duele tanto estar así
rayando el sol.


Rayando el sol oeooo desesperación
es más fácil llegar al sol que a tu corazón.


Rayando por ti
rayando
rayando
uuuh, rayando, rayando el sol
rayando ay, ay, ay, ay, rayando el sol
rayando
rayando
rayando por ti
rayando


Artista: Mana
Album: Luna

(imagem retirada daqui)

Ainda a greve

Fiquei espantado com os comentários que para aí se escrevem sobre os professores. De facto a nossa imagem anda muito por baixo. Acho que um país que não acarinha os seus professores não vai muito longe, mas...
A propósito desta questão,lembrei-me de um e-mail de alguém que muito estimo, o Carlos, me enviou. Acho que a história relata bem a nossa situação.

Avaliação do desempenho...

O dono de um talho foi surpreendido pela entrada dum cão dentro da loja.
Ele enxotou-o mas o cão voltou logo de seguida. Novamente ele tentou espantá-lo mas reparou que o cão trazia um bilhete na boca. Ele pegou o bilhete e leu:
- Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?
O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 euros.
Ele pegou no dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco e colocou-o na
boca do cão.
O talhante ficou realmente impressionado e como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou o saco no chão, pulou e carregou no botão para fechar o sinal.
Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e pudesse atravessar.
Atravessou a rua e caminhou até uma paragem de autocarro, sempre com o
talhante a segui-lo.
Na paragem, o cão olhou para o painel dos horários e sentou-se no banco, Esperando o autocarro.
Quando um autocarro chegou o cão foi até à frente para conferir o número e voltou para o seu lugar.
Outro autocarro chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o número certo e entrou.
O talhante, boquiaberto, seguiu o cão. Mais adiante o cão levantou-se, ficou em pé nas duas patas traseiras e carregou no botão para mandar parar o Autocarro, tudo isso com as compras ainda na boca.
O talhante e o cão foram caminhando pela rua quando o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio. Então virou-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Tornou a fazer o Mesmo mas ninguém respondeu.
Então contornou a casa, pulou um muro baixo, foi até à janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Caminhou de volta para a porta e, de repente, um tipo enorme; abriu a porta e começou a espancar o bicho.
O talhante correu até ao homem e impediu-o dizendo:
"Deus do céu homem, o que é que você está a fazer? O seu cão é um génio!"
O homem respondeu: "Um génio??? Esta já é a segunda vez esta semana que este cão estúpido se esquece da chave!".

Moral da história:
Podes continuar a exceder as expectativas mas, aos olhos daqueles que te avaliam, isso estará sempre abaixo do esperado...

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Subi uma escada, imaginda

Este post é dedicado a todos os C.A. com quem me encontrei ao longo da minha existência e com que, decerto, me irei encontrar mais vezes e me fazem perceber que o caminho para o paraíso é, infelizmente, o segundo...

(Madredeus)


Subi a escada de papelão
Imaginada
Invocação
Não leva a nada
Não leva não
É só uma escada de papelão


Há outra entrada no paraíso
Mais apertada
Mais sim senhor
Foi inventada por um anão
E está guardada
Por um dragão
Eu só conheço
Esse caminho
Do paraíso
(imagem retirada daqui)

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Só para dizer que já estou noutra...

Para que se saiba que já estou noutra, neste 14 de Junho, dia de greve de professores...
Ouvindo esta lindíssima música, acalmei.


(imagem retirada daqui)


Porto de mágoas

Esperar como quem sonha
um rio a correr,
um lírio aberto a ser na alvorada,
um caminho, uma estrada
para além-mundo.
Querer no silêncio do nada
o sentimento fundo.

Mas no sentimento fundo do som
o mesmo riso, o mesmo pranto,
meu ser em alvoroço
vai navegando as horas, uma a uma...
E as rotas que se perdem sem querer,
se o mar não o quiser,
há sempre o espanto e a espuma.

E as mãos como gazelas, como pombas,
dedilhando a guitarra
com a benção da água.
E o tempo a envolver-se em minhas sombras,
neste amor que me amarra
ao teu porto de mágoas,
ao meu porto de mágoas


Dulce Pontes

14 de Junho - dia de greve de professores


Para que fique BEM claro. Eu sou professor e fiz greve! (pronto já disse - estão separadas as águas).

Após dois dias de avaliação e de ter lido muita coisa que se foi escrevendo sobre os professores e seus comentários, ouvindo fóruns da TSF e Antena 1, dou os parabéns a todos aqueles que têm denegrido a minha profissão.

Conseguiram-no! Parabéns! Os professores são a escumalha da sociedade, uma párias, uns parasitas. Está dito!

E eu, que já dou aulas há 20 anos (imagine-se) sinto-me humilhado, rebaixado, ultrajado... Sempre dei o "litro", noite livres nos últimos anos contam-se pelos dedos, cada vez trabalho mais e cada vez me tratam pior... Ah, vidas de professor...

Perdoa-me, caro Alberto Caeiro, por tratar mal mal a tua poesia

Excertos de: “O Guardador de Rebanhos - Poema V
(Alberto Caeiro)

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
[…]
Que ideias tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
[…]
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas)
O mistério das coisas? Sei lá o que é o mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
[…]
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas,
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
[…]
"Constituição íntima das coisas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
[…]
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

terça-feira, 13 de junho de 2006

A propósito de certa TV que nos entra casa dentro

ENQUANTO
António Gedeão

Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
e um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
para ver como é;
enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
e correr pelos interstícios das pedras,
pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas;
enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas
órfãs de pais e de mães,
andarem acossadas pelas ruas
como matilhas de cães;
enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
num silêncio de espanto
rasgado pelo grito da sereia estridente;
enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
amassando na mesma lama de extermínio
os ossos dos homens e as traves das suas casas;
enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:

ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA

















Imagem retirada daqui

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Pois, este é um daqueles dias...


Preciso de ficar assm, após cada momento de avaliação.
Não dá mesmo.

DETESTO estes DIAS
2ª parte
Estátua,
Desenhada para sempre
Brilhas à luz do luar
Alisada pelo vento
Voas no mesmo lugar
Eu sei

Estátua,
Parada e silenciosa
Olhas para mim receosa
que perceba o teu enredo
que te descubra o segredo
é que eu sei
Eu sei,
Qual é o teu maior medo
é que eu pare também
e passe a ser um rochedo
e deixe de ser alguém
também
é que eu sei, eu sei
Selvagem competição
Começaria então
Eu desenhada por Deus
Tu por um coração
Madredeus no álbum "Um amor infinito"

domingo, 11 de junho de 2006

Pode-se escrever... Ou como nascem as coisas


Afinal a tão falada angústia do escritor em frente da página em branco, é simples de resolver… ainda estamos na linha de (re) lembrar percursos e histórias antigas...

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Actuação escrita
Pedro Oom

Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever

sábado, 10 de junho de 2006

Se se cala o cantor...

SI SE CALLA EL CANTOR – Horacio Guarany

Si se calla el cantor, calla la vida
porque la vida, la vida misma es todo un canto
si se calla el cantor, muere de espanto
la esperanza, la luz y la alegría

Si se calla el cantor se quedaran solos
los humildes gorriones de los diarios
los obreros del puerto se persignan
quien habrá de luchar por sus salarios.

Que ha de ser de la vida si el que canta
no levanta su voz en las tribunas
por el que sufre, por el que no hay ninguna razón
que lo condene a andar si manta.

Si se calla el cantor muere la rosa
de que sirve la rosa sin el canto
debe el canto ser luz sobre los campos
iluminando siempre a los de abajo.

Que no calle el cantor porque el silencio
cobarde apaña la maldad que oprime
no saben los cantores de agachadas
no callarán jamás de frente al crimen.

Que se levanten todas las banderas
cuando el cantor se plante con su grito
que mil guitarras desangren en la noche
una inmortal canción al infinito.

Si se calla el cantor...
calla la vida..


Imagem retirada daqui

sexta-feira, 9 de junho de 2006

10 - Gosto/não gosto - a propósito de uma colónia de férias...


Gosto/não gosto

Não gosto de pintar as bandeiras
Gosto de estar com os amigos
Não gosto da praia ter peixes mortos
Gosto das canções que também canto na escola
Não gosto de tomar banhos de mangueira
Gosto de ir à praia
Não gosto da comida

Gosto de nos poderem deixar sair sem hora marcada
Não gosto de algumas canções que nos fazem cantar
Gosto de jogar futebol
Não gosto de estar no quadrado

Vai/não vai?
Não há bela sem senão


Zé P/João P

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Deixem jogar o Mantorras


MONANGABÉ

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações;
Naquela roça grande tem café maduro e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.
O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem as aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo? Quem vai a tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer

Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?

Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

Monangambé...

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras

Monangambé

António Jacinto(Poemas, 1961)

No, no , no nos moveran

ALTURAS DE MACHU PICCHU (POEMA XII)

PABLO NERUDA (1904–1973)
Tradução de José Jeronymo Rivera

Sobe a nascer comigo, irmão

E tua mão estende-me da funda
zona de tua dor disseminada.
Não voltarás do fundo dos rochedos.
Não voltarás do tempo subterrâneo.
Não voltará tua voz endurecida.

Não voltarão teus olhos perfurados.
Vem me fitar da profundez da terra,
lavrador, tecedor, pastor calado:
domador de guanacos tutelares:
pedreiro por andaimes desafiado:
aguadeiro de lágrimas andinas:
joalheiro dos dedos machucados:
agricultor tremendo na semente:
oleiro em tua argila derramado:
trazei ao cálix desta nova vida
as vossas velhas dores enterradas.
Mostrai-me vosso sangue e vosso corte,
dizei-me: aqui fui castigado,
porque a jóia não rebrilhou, ou a terra
não entregou a tempo a pedra ou o grão:
assinalai-me a terra em que caístes
e o madeiro em que vos crucificaram,
acendei-me as antigas pederneiras,
as velhas lâmpadas, os látegos gravados
por séculos e séculos nas chagas
e os machados de brilho ensangüentado.
Venho falar por vossa boca morta.
Na vastidão da terra juntai todos
os silenciosos lábios derramados
e do fundo falai-me toda esta longa noite
como se eu estivesse ancorado convosco,
contai-me tudo, cadeia a cadeia,
contai elo por elo, e passo a passo,
afiai os facões que conservastes,
ponde-os em meu peito e em minha mão,
como um rio de raios amarelos,
como um rio de tigres enterrados,
e deixai-me chorar, horas, dias, anos,
idades cegas, séculos estelares.
Dai-me o silêncio, e a água, e a esperança.
Dai-me o combate, dai-me o aço e os vulcões.
Trazei a mim os corpos como ímãs.
Acudi minha boca e minhas veias.
Falai pelo meu verbo e por meu sangue.

Deixai-me chorar, horas, dias, anos, idades cegas, séculos estelares.

Dai-me o silêncio, a água, a esperança, a luz, a paz

Dai-me o combate, dai-me o aço, a força dos vulcões, o fogo e a revolta.

Acudi minha boca e minhas veias.

No, no, no nos moveran

Falai pelo meu verbo e por meu sangue. Nao deixes que me domem.

Nas minhas costas não!

no, no, non nos moveran

sobe a nascer comigo

terça-feira, 6 de junho de 2006

Era uma vez um menino... não, era uma vez um papagaio...


O Brinquedo

Foi um sonho que eu tive:

Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela

Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ía subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu

Que deixou de ser estrela de papel,
E o menino ao vê- la assim, sorriu
E cortou- lhe o cordel.

MIGUEL TORGA “Diário”
Tinhas mesmo de ser tu, Oh Miguel...

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Isto já parece o regresso ao passado, mas...

Como me decidi a ir aos primórdios, na tal lógica de um ponto da situação... Após alguma pesquisa descobri! (viva o S. Google!)

Skybird
Written by: Neil Diamond

Skybird
Make your soul
And every heart will know
Of the tale

Skybird
Make your tune
For none may sing it
Just as you do

Look at the way I glide
Caught on the wind?s laxy tide
Sweetly how it sings
Rally each heart at the sight
Of your silver wings

Skybird, skybird

Nightbird
Find your way
For none may know it
Just as you may

domingo, 4 de junho de 2006

Semana em cheio

Isto tem sido demais. É muita emoção junta para um tempo tão curto...
Foi a semana do livro: o AMR e o "Contador de Histórias"; foi descobrir alguém (T.) que estava, afinal, tão próxima e parecia tão longe... Foi rever velhos amigos a troco de nada, só pela gratuidade... é bom estar vivo assim.
Obrigado a todos



São tantas já vividas
São momentos que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver (chorar) sorrir, fingindo

Eu sei, já sofri
Mas não deixo de amar
Se chorei ou se sofri
O importante é que emoções eu vivi

Mas eu estou aqui
Vivendo esse momento lindo


E as emoções se repetindo
Em paz com a vida
E o que ela me traz

A fé (ingenuidade) que me faz
Optimista demais
Se chorei ou se sorri (ou se sofri)
O importante é que emoções eu (vivi) vivo

sábado, 3 de junho de 2006

Como tudo começou...

Já que estamos a iniciar... Talvez seja giro começar pelo princípio.


Voa... Voa alto... não te deixes prender!

O papão do anão


O papão do anão

É o anão do próprio anão

O pior p'rò anão

É ter um irmão menor

É ter um irmão maior

É ter um irmão...

Só de costas o anão é parecido

Com o menino que pode ter sido

Os anões não se medem aos palmos

Eu sou o melhor

Eu sou o maior

Quero ser

Hei-de ser sempre o mais pequenino

Estreitinho

Maneirinho

Que há-de haver

Propriamente ser anão não custa puto

O que custa é manter esse estatuto

O papão do anão

É o anão do próprio anão

O pior p'rò anão

É ter um irmão menor

É ter um irmão maior

É ter um irmão melhor

O pior p'rò anão

É ter um irmão...

Ser anão não é coisa do corpo

É forma do espírito morto

São anões p’ra quem tudo são palmos

Eu sou o melhor

Eu sou o maior

Quero ser sempre o mais pequenino

Estreitinho

Mirradinho

Que há-de haver


Propriamente ser anão não é defeito

É gostar de ser pequeno sem proveito


José Mário Branco, in "Resistir é vencer"

Sarajevo (versão 92)


A propósito da visita do António Manuel Ribeiro à minha Escola (foi no dia 1), a páginas tantas, falou-se do Iraque e lembrei-me de uma das suas canções que me marcaram... Andei, hoje, todo o dia com a música na cabeça. Substitua-se Sarajevo por Iraque e...







Sarajevo (versão 92)

Diz-me que este verão foi mentira
Nada disto está a acontecer
Sarajevo, um alvo nas miras
E os polícias do mundo estão a ver

Jugoslávia bonita
Filha da Europa
Fronteiras malditas
Que o ódio devora
Sarajevo, Sarajevo.

É no centro do velho continente
Que a matança das raças se consome
Esse homem de pé deve morrer
No terreiro da caça só o medo se move.

Jugoslávia bonita
Filha da Europa
Fronteiras malditas
Que o ódio devora
Sarajevo, Sarajevo.

Sarajevo não tem fim
A vergonha está isenta
Assim apodrece um país
No palco deste planeta.

Jugoslávia bonita
Filha da Europa
Fronteiras malditas
Que o ódio devora
Sarajevo, Sarajevo.

O pior dos animais anda à solta
A vingança nos olhos ancestrais
Solução final que se retoma
Hitler à mesa dos chacais.

Jugoslávia bonita
Filha da Europa
Fronteiras malditas
Que o ódio devora
Sarajevo, Sarajevo.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Emoções e Poesia

Que grande responsabilidade... o primeiro post e o primeiro poema...
Escolhi este, sem pensar muito.... E o engraçado é que nem é um poema, ou pelo menos não tem a métrica, nem a rima... Fica como homenagem.


Se não podes ser uma árvore sobre a colina,
que sejas um arbusto no vale.
Mas que sejas o melhor arbusto de todas as léguas ao seu redor.
Se não podes ser como uma estrada, sejas uma vereda.
Se não podes ser o sol, sejas uma estrela.
O valor não se mede pelas dimensões.
Sejas o que fores...
que o sejas profundamente...

(Martin Luther King)